Administração Trump retira EUA de 66 organizações internacionais em movimento sem precedentes

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Administração Trump retira EUA de 66 organizações internacionais em movimento sem precedentes

O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (7 de janeiro de 2026) a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, incluindo 31 entidades vinculadas à Organização das Nações Unidas (ONU) e 35 instituições independentes, sob o argumento de que elas operam “contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”, segundo comunicado oficial da Casa Branca.

Assinada por Trump, a ordem presidencial determina que todos os departamentos e agências executivos cessem a participação e o financiamento dessas organizações o mais rápido possível, com o objetivo declarado de “restaurar a soberania americana” e redirecionar recursos para prioridades internas.

Entre os organismos dos quais os EUA se retirarão estão entidades que atuam em áreas como clima, desenvolvimento sustentável, migração, gênero e direitos humanos. O memorando da Casa Branca menciona especificamente a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) — tratado fundamental que serviu de base ao Acordo de Paris — além de agências como ONU Mulheres e o Fundo de População da ONU (UNFPA).

A medida segue a linha adotada pela administração Trump desde o início de seu segundo mandato em 2025, quando já havia cortado o financiamento dos EUA para várias agências da ONU e se retirado de acordos multilaterais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

O governo argumenta que muitas dessas instituições promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos” que conflitam com a soberania, segurança e força econômica dos Estados Unidos, e que o fim da participação permitirá uma alocação mais eficiente dos recursos do contribuinte americano.

A reação internacional foi imediata. Grupos ambientalistas, defensores dos direitos humanos e líderes de outros países criticaram a decisão, afirmando que ela minará décadas de cooperação em áreas cruciais como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e direitos humanos, além de enfraquecer a influência dos EUA em fóruns multilaterais.

Alguns dos organismos dos quais os EUA estão se afastando incluem também fóruns de cooperação em cibersegurança, migração global e contraterrorismo, além de comissões de pesquisa econômica e programas de educação, segundo a lista divulgada pela Casa Branca.

Especialistas em política internacional avaliam que a retirada em massa representa uma mudança radical na política externa americana, com potencial para reconfigurar alianças e criar lacunas de liderança global, especialmente em temas como clima e governança multilateral.

Governos aliados já expressaram preocupação com os efeitos da medida sobre a cooperação global, enquanto países rivais podem tentar preencher o vácuo deixado pelos EUA em várias frentes diplomáticas e de desenvolvimento.

A retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais é considerada uma das ações mais amplas de revisão da participação americana em entidades multilaterais na história recente, refletindo a ênfase da administração Trump em políticas de “America First” e uma visão mais unilateral da atuação global.