Agro cobra reação rápida do Brasil à taxação chinesa para evitar impacto no mercado

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Agro cobra reação rápida do Brasil à taxação chinesa para evitar impacto no mercado

A imposição de tarifas mais altas pela China sobre a importação de carne bovina brasileira desencadeou uma resposta imediata da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Brasil, que passou a exigir do governo federal uma reação rápida para mitigar possíveis impactos negativos no mercado doméstico e na renda dos produtores. A preocupação tomou corpo nos primeiros dias de 2026, com alertas de que a situação pode afetar fortemente um dos principais pilares da economia brasileira.

Na última quarta-feira (31 de dezembro de 2025), o Ministério do Comércio chinês (Mofcom) anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre volumes de carne bovina que ultrapassarem um limite de cotas por país — medida que deverá vigorar ao longo de 2026. O Brasil, maior fornecedor global da proteína ao mercado chinês, enfrentará a sobretaxa além dos 12% de imposto de importação já vigentes.

Pressão política e economia do agro

Em nota oficial, a FPA afirmou que acompanha “com preocupação” a decisão de Pequim e que a medida já estava sendo monitorada, mas “agora exige reação rápida para evitar instabilidade no mercado e efeitos no abate e na renda do produtor no início de 2026”. A bancada ruralista indicou que buscará abertura imediata de canais de diálogo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), o Itamaraty e a área de comércio exterior para enfrentar o problema.

Parlamentares alinhados ao setor destacam que qualquer atraso nas respostas oficiais pode resultar em redução de volumes exportados, disrupções nos contratos internacionais e pressão sobre os preços domésticos da carne, que podem desestimular pecuaristas e frigoríficos já no primeiro trimestre do ano.

Impactos econômicos mais amplos

Analistas econômicos e comerciais alertam que a taxação chinesa — projetada para proteger a indústria doméstica do país asiático — cria um novo risco para o agronegócio brasileiro em um momento em que o setor ainda luta com inflação de custos e preços voláteis. Parte significativa da receita do produtor de carne bovina depende das exportações à China, que em 2025 já absorvia cerca de metade das exportações brasileiras desse produto.

Economistas especializados em comércio internacional também observam que medidas protecionistas adotadas por líderes econômicos globais, como tarifas e cotas, podem desencadear retaliações e ajustes nos fluxos comerciais. Estudo sobre tarifas globais indica que ambientes tarifários elevados incentivam negociações bilaterais e podem reduzir competitividade a longo prazo, pressionando países exportadores a diversificarem mercados e produtos.

Riscos para o mercado brasileiro

A preocupação dos ruralistas não se limita à questão da exportação de carne: há alertas de que, se não houver uma resposta diplomática e comercial eficaz, poderão surgir efeitos em outros segmentos do agronegócio — como soja e milho — que dependem da cadeia de proteína animal para preços e demanda no longo prazo. A volatilidade de contratos e expectativas pode afetar investimentos e o planejamento das safras.

Do governo, expectativa de negociações

Fontes do setor público indicam que o governo brasileiro já discute medidas de resposta e estudo de impacto técnico com entidades setoriais e diplomatas para evitar desorganização de mercado. A expectativa dos produtores é que ações coordenadas com os parceiros chineses resultem em ajustes que preservem a estabilidade das exportações brasileiras de proteína e demais produtos agropecuários.

Conclusão: A taxação chinesa à carne bovina brasileira já acendeu um sinal de alerta no agro e no Congresso — e a reação rápida do Brasil, segundo a bancada ruralista, será crucial para evitar impactos negativos sobre o mercado interno, a renda dos produtores e o desempenho do agronegócio no início de 2026.