A prisão de Nicolás Maduro anunciada após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela provocou uma onda de reações entre ativistas de direitos humanos, opositores políticos e imigrantes venezuelanos espalhados por diversos países. Em cidades como Bogotá, Miami, Madrid, Buenos Aires e São Paulo, grupos organizaram vigílias e manifestações comemorando o que classificam como “o fim de uma era de repressão e medo”.
Reações internacionais da diáspora venezuelana
Em Miami, onde vive uma das maiores comunidades de exilados, centenas se reuniram em frente ao consulado venezuelano desativado, empunhando bandeiras e cartazes com frases como “Justicia por fin” e “Libres de la tiranía”. A ativista Rocío Sanabria, do grupo Venezolanos por la Democracia, afirmou que a prisão de Maduro representa “um passo histórico para a reconstrução moral e política da Venezuela”.
Em Bogotá, membros da ONG Foro Penal — conhecida pela defesa de presos políticos — disseram ver no episódio uma oportunidade de responsabilização judicial internacional. “As vítimas de tortura, perseguição e censura finalmente têm esperança de ver justiça, ainda que em outro país”, declarou o advogado Alfredo Romero, coordenador da organização.
Comemorações e simbolismo político
Na Espanha, onde a diáspora venezuelana ultrapassa 450 mil pessoas, movimentos de exilados organizaram marchas em Madri e Valência, com apoio de entidades pró-democracia latino-americanas. As manifestações destacaram o simbolismo do momento: o fim de um regime acusado de repressão, corrupção e destruição institucional.
Em Buenos Aires, o grupo SOS Venezuela acendeu velas na Plaza de Mayo em homenagem aos desaparecidos políticos do chavismo. A porta-voz María Alejandra Castillo afirmou que o julgamento de Maduro nos Estados Unidos “envia uma mensagem clara a todo líder autoritário de que o tempo da impunidade está acabando”.
Entre a esperança e a cautela
Embora o sentimento predominante entre os imigrantes seja de alívio, alguns setores expressaram cautela quanto às implicações geopolíticas da operação americana. Grupos de juristas e acadêmicos lembram que a captura de um chefe de Estado em exercício pode gerar questionamentos no direito internacional e tensões regionais. Ainda assim, para grande parte da população venezuelana expatriada, a prioridade é o reconhecimento das violações cometidas durante o regime e a restauração da democracia.
Uma esperança depois do exílio
Nos últimos dez anos, mais de sete milhões de venezuelanos deixaram o país, segundo dados da ONU. Para muitos, a queda de Maduro simboliza a possibilidade de retorno e de reconstrução nacional. “Hoje choramos, mas é de alegria”, disse Carlos Hernández, refugiado em São Paulo desde 2018. “Talvez nossos filhos possam voltar a viver na Venezuela livre que sonhamos.”
Entre emoção, justiça e incerteza, o episódio marca um ponto de inflexão histórico: a esperança de uma nação que, mesmo dispersa pelo mundo, mantém vivo o desejo de recuperar sua liberdade.