Ao analisar os últimos três anos de gestão do governo do Distrito Federal (GDF), sob a liderança do governador Ibaneis Rocha (MDB), é possível identificar um equilíbrio entre avanços em governança, responsabilidade fiscal e transparência pública, ao mesmo tempo em que persistem desafios econômicos e estruturais importantes para a capital da República.
Uma leitura técnica das contas públicas mostra que o DF manteve sua arrecadação crescendo e suas despesas sob controle, o que refletiu em equilíbrio fiscal no segundo quadrimestre de 2025. Relatórios oficiais apontam que a arrecadação total chegou a R$ 25,4 bilhões, enquanto a despesa de pessoal ficou abaixo do limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal, com 38,95% do gasto líquido — um sinal claro de disciplina orçamentária.
Do ponto de vista da transparência e governança, o governo distrital se destacou em 2025 ao conquistar 85,1 pontos no Índice de Transparência e Governança Pública da Transparência Internacional — um dos melhores desempenhos entre os estados brasileiros, apontando um nível considerado “ótimo” de transparência em dados públicos, plataformas digitais e prestação de contas.
Outros esforços de gestão também foram significativos, como a condução da revisão do Plano de Desenvolvimento e Ordenamento Territorial (PDOT), que propõe a criação de 26 novas áreas de regularização urbanística, um passo importante para políticas de moradia e desenvolvimento urbano sustentável no DF.
Em termos sociais e de valorização do serviço público, o governo firmou acordos importantes para valorizar categorias como a Polícia Civil, com reajustes salariais substanciais que devem ser implementados em parcelas entre 2025 e 2026, algo raro no cenário fiscal nacional atual.
Apesar desses pontos positivos, os desafios continuam evidentes. Relatórios como o RAPP 2024 do Tribunal de Contas do Distrito Federal destacaram que, embora a arrecadação tenha crescido, as despesas também aumentaram mais rapidamente, e setores essenciais como saúde e educação ainda apresentam desempenhos abaixo do esperado em indicadores de qualidade e execução física de políticas públicas. As despesas sem cobertura contratual também cresceram, apontando fragilidades na gestão orçamentária.
Além disso, a dependência de repasses federais — como os mais de R$ 60 bilhões transferidos ao DF entre 2023 e 2024, que representaram um aumento de R$ 14 bilhões em comparação a períodos anteriores — mostra que o equilíbrio fiscal local muitas vezes está ligado a decisões e contextos macroeconômicos federais.
No conjunto, os três anos de gestão refletem um governo capaz de promover avanços em transparência, responsabilidade fiscal e diálogo institucional, mantendo contas equilibradas em um período marcado por desafios econômicos nacionais. Porém, a necessidade de melhorias nos resultados de serviços públicos essenciais e a estruturação de políticas urbanas de longo prazo continuam sendo tarefas centrais para o futuro do Distrito Federal.