Instituições financeiras e de pagamentos concluíram, ao longo dos últimos dez meses de 2025, a exclusão de 9,1 milhões de chaves Pix vinculadas a CPFs irregulares registrados na Receita Federal, em cumprimento à determinação do Banco Central do Brasil (BCB) para reforçar a segurança do sistema de pagamentos instantâneos e dificultar fraudes. A ação superou a estimativa inicial do regulador, que previa cerca de 8 milhões de exclusões.
A medida afetou chaves ligadas a CPFs em situação suspensa, nula, cancelada ou de titulares falecidos, conforme os registros da Receita Federal — sem prejuízo direto a contribuintes inadimplentes com tributos, já que a irregularidade está relacionada unicamente ao cadastro fiscal.
Segundo dados compilados pelo Banco Central, entre março e 20 de dezembro de 2025, foram excluídas 13,4 milhões de chaves Pix de pessoas físicas e 5 milhões de chaves de pessoas jurídicas, das quais 3,4 milhões estavam associadas a CNPJs irregulares.
A iniciativa integra um conjunto de medidas adotadas em 2025 para tornar o Pix — meio de pagamento instantâneo que já se consolidou como um dos principais instrumentos de transferência no país — mais seguro e menos vulnerável a golpes e ataques cibernéticos. O foco na validação cadastral das chaves, alinhado à intervenção técnica do Banco Central, visa impedir que criminosos usem identidades desatualizadas ou inexistentes para aplicar fraudes financeiras.
A exclusão das chaves com CPFs irregulares atende a normas que, desde meados de 2025, exigem que instituições verifiquem a conformidade dos dados cadastrais com os registros oficiais antes de manter ou registrar chaves no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT).
Especialistas em segurança digital e finanças elogiam a adoção de critérios rigorosos de validação — destacando que, embora não seja possível quantificar exatamente o número de tentativas de fraude evitando com a limpeza dos cadastros, a medida cria barreiras adicionais à atuação de criminosos que exploram inconsistências de nomes e CPFs para enganar usuários.
Com essa ação, o Banco Central sinaliza que continuará a aperfeiçoar o arcabouço regulatório e operacional do Pix, inclusive com o desenvolvimento de ferramentas como um “score de risco de fraude” e a ampliação da supervisão de instituições que se conectam ao sistema de pagamentos, iniciativas previstas para os próximos anos.
A limpeza das bases de dados do Pix em relação às chaves associadas a CPFs irregulares representa um dos maiores esforços já feitos pelo setor para aumentar a resiliência do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e proteger os usuários contra fraudes sofisticadas.