O empresário americano Mike Repole, bilionário do setor de bebidas e cofundador das marcas Glaceau (Vitaminwater) e BodyArmor, surpreendeu o mundo dos negócios ao afirmar que “não recomenda o empreendedorismo” para a maioria das pessoas — apesar de ter vendido suas empresas à Coca-Cola por um total de US$ 9,7 bilhões (R$ 54 bilhões).
A declaração foi feita em entrevista ao canal School of Hard Knocks, conhecido por conversar com grandes nomes do mercado sobre sucesso, fracasso e mentalidade empresarial.
Repole, que começou sua trajetória vendendo bebidas funcionais e acabou se tornando um dos maiores nomes do setor nos Estados Unidos, afirmou que o empreendedorismo é glamorizado de forma irreal.
“As pessoas só veem o sucesso final, mas não o sofrimento. Empreender é o caminho mais difícil possível. Você perde amigos, noites de sono, momentos com a família. É estresse constante”, afirmou o empresário.
O executivo explicou que, embora seu patrimônio ultrapasse US$ 3 bilhões, o preço pessoal pago foi alto. Ele descreveu a rotina de fundar empresas como “um ciclo interminável de fracasso e pressão”, no qual “a chance de dar certo é mínima”.
Repole ficou mundialmente conhecido por vender a Glaceau (criadora da Vitaminwater) à Coca-Cola em 2007, por US$ 4,1 bilhões, e mais tarde a BodyArmor, por US$ 5,6 bilhões, em 2021.
Apesar dos números impressionantes, ele disse que “não faria tudo de novo” se tivesse a chance:
“O empreendedorismo não é liberdade, é prisão. Todo mundo quer ser dono, mas ninguém entende o peso que isso traz.”
O bilionário também criticou a cultura das redes sociais que retrata empresários como celebridades ou super-heróis. Segundo ele, esse tipo de narrativa cria falsas expectativas e leva muitos jovens a abandonarem carreiras estáveis por sonhos empresariais sem base real.
Apesar da visão dura, Repole destacou que persistência e propósito são essenciais para quem decidir seguir o caminho do empreendedorismo.
“Você precisa amar o que faz a ponto de aguentar a dor todos os dias. Se não for assim, é melhor não começar”, concluiu.
A fala de Repole vem repercutindo entre executivos e investidores do Vale do Silício, reacendendo o debate sobre os custos psicológicos e sociais de empreender, um tema que ganha força à medida que histórias de burnout, falências e esgotamento surgem entre fundadores de startups de alto crescimento.