O Brasil vem passando por uma transformação demográfica marcada pelo envelhecimento acelerado da sua população, um processo com impacto direto nas pressões sobre o sistema previdenciário e as contas públicas do país. A mudança no perfil etário tem implicações tanto sociais quanto econômicas, especialmente para a sustentabilidade da Previdência Social.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no Brasil dobrou nas últimas duas décadas, com cerca de 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024 — cenário que reflete a transição demográfica em curso. Em paralelo, projeções demográficas indicam que, nas próximas décadas, o país terá uma proporção crescente de pessoas idosas em relação à população trabalhadora, com estimativas sugerindo que até 2070 quase 38% da população terá 60 anos ou mais.
Essa inversão na pirâmide etária — com menos nascimentos e maior longevidade — gera pressão adicional sobre a Previdência, que é financiada majoritariamente por contribuições dos trabalhadores ativos para pagar benefícios de aposentadoria e pensões. À medida que a razão entre contribuintes e beneficiários se reduz, o déficit previdenciário tende a crescer, exigindo ajustes no sistema ou novas reformas para preservar a sustentabilidade financeira.
Especialistas e instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), já haviam alertado que o envelhecimento populacional no Brasil pressiona as finanças públicas, com gastos com aposentadorias e saúde ligados ao envelhecimento crescendo a taxas maiores do que as contribuições previdenciárias.
Além do impacto fiscal, o envelhecimento rápido também influi em áreas como saúde pública, mobilidade urbana e políticas sociais, exigindo adaptações nas políticas públicas brasileiras para atender às demandas de uma população cada vez mais idosa, com implicações para serviços de longa duração e apoio social.
O debate sobre reformas previdenciárias contínuas e ajustes fiscais segue em pauta entre economistas e formuladores de políticas, diante da necessidade de equilibrar a proteção social aos idosos com a manutenção da sustentabilidade do sistema previdenciário a longo prazo.
Em resumo, o Brasil enfrenta um duplo desafio: ao mesmo tempo em que sua população envelhece rapidamente, a estrutura de financiamento da Previdência e das políticas públicas de proteção social precisa se adaptar para evitar desequilíbrios fiscais e assegurar proteção adequada às gerações atuais e futuras.