Pesquisa aponta mudança de hábitos e pressão econômica podem reduzir consumo de alimentos e frustrar expectativas do setor
Uma nova pesquisa divulgada pela Folha de S. Paulo e Agência O Globo revela que os padrões de consumo dos brasileiros — especialmente no setor alimentar — estão passando por mudanças profundas influenciadas por novos fatores comportamentais e econômicos, o que pode reduzir o tamanho do carrinho de compras nos supermercados e frustrar a expectativa de crescimento do setor varejista em 2026.
Entre os fatores apontados pelo estudo está a crescente adoção de canetas emagrecedoras, medicamentos à base de GLP-1 como Ozempic e Mounjaro, que mudam o apetite e reduzem significativamente a ingestão calórica diária de muitos usuários. Pesquisas internacionais indicam que famílias com pelo menos um usuário de GLP-1 podem reduzir gastos com alimentos em supermercados — em alguns casos acima de 5 % a 8 % em seis meses — ao passo que diminuem o consumo de itens ricos em açúcar, gordura e carboidratos refinados.
Especialistas do setor apontam que essa tendência de consumo mais restrito e saudável já começa a impactar a demanda por certos tipos de produtos, levando varejistas a reconfigurar sortimentos e estratégias de marketing para acompanhar a preferência por refeições com porções menores ou ingredientes de maior densidade nutricional.
Outros elementos que desafiam as vendas são o aumento das apostas (bets) e as altas taxas de juros, que ampliam a cautela entre os consumidores, reduzindo o poder de compra e alterando prioridades de gasto. Consumidores mais pressionados pela inflação e pelos custos de crédito tendem a gastar menos em bens não essenciais — o que inclui itens alimentares de maior valor agregado — e priorizar serviços ou pagamentos de dívidas, segundo economistas consultados na pesquisa.
O relatório da pesquisa destaca que essa combinação de fatores — novos hábitos de consumo decorrentes de terapias médicas, pressões econômicas e comportamentais — pode ter um efeito mais profundo na confiança do varejo de alimentos e bebidas do que muitas projeções iniciais do setor previam para o início de 2026, levando redes de supermercados a revisar expectativas de receita e estratégias de crescimento.
A análise conclui que, mesmo sem uma recessão formal, a adaptação a esse novo cenário de consumo é crucial para o setor: varejistas que identificarem precocemente essas mudanças e ajustarem seus portfólios podem minimizar impactos negativos e aproveitar nichos emergentes, como produtos mais saudáveis ou em formatos menores, que estão ganhando espaço nas cestas de compra.
Em resumo, a pesquisa aponta que o varejo alimentar enfrenta um ponto de inflexão — com canetas emagrecedoras, comportamento financeiro dos consumidores e a conjuntura de juros altos desafiando a tradicional dinâmica do consumo de alimentos no Brasil.