A crise política desencadeada pelo caso Banco Master ampliou a pressão de setores bolsonaristas e da oposição contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em meio a acusações de suposta interferência em favor da instituição financeira e, agora, tenta impulsionar um processo de impeachment no Congresso Nacional.
O episódio ganhou corpo após reportagens investigativas, especialmente da colunista Malu Gaspar, que relataram que Moraes teria mantido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões, em um momento em que o Master enfrentava problemas de liquidez e tentativa de venda da instituição — fatos que, segundo críticos, sugerem uma atuação indevida de um magistrado sob investigação.
Além dessa suposta interlocução com autoridades monetárias, o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teria firmado contrato no valor de R$ 129 milhões com o Banco Master, o que intensificou ainda mais as alegações de conflito de interesses e favorecimento privado — pontos centrais nas críticas de parlamentares oposicionistas.
Movimentos articulados por líderes bolsonaristas e deputados federais aliados, como Cabo Gilberto (PL-PB) e Marcel van Hattem (Novo-RS), romperam o recesso parlamentar para coletar assinaturas e protocolar um pedido de impeachment contra Moraes, com a meta de superar cifras recordes de apoios de deputados e senadores para encaminhar o processo ao Senado.
A ofensiva inclui também a articulação por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as circunstâncias envolvendo o Banco Master e possíveis irregularidades no caso. A oposição defende que a conduta atribuída ao ministro compromete a imparcialidade e a credibilidade do STF, argumentando que isso representaria uma violação dos princípios constitucionais e um possível crime de responsabilidade.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República (PGR), sob liderança de Paulo Gonet, já arquivou um pedido de investigação semelhante, afirmando que não havia elementos mínimos que sustentassem uma acusação formal contra Moraes com base nas reportagens publicadas — decisão que reacendeu o debate político e incentivou novas representações ao Congresso.
O ministro tem negado veementemente qualquer favorecimento ao Banco Master, sustentando que os encontros com Galípolo foram exclusivamente para debater os efeitos da aplicação da Lei Magnitsky, e que não houve qualquer pressão relacionada ao banco ou à operação de venda ao BRB.
À medida que o caso avança, a disputa entre narrativa política e interpretação judicial continua a moldar um dos principais conflitos institucionais no Brasil às vésperas de um ano eleitoral, testando os limites dos poderes e a relação entre o Judiciário e o Congresso.