A apenas três meses para que o governador Mauro Mendes (União Brasil) renuncie ao cargo no Palácio Paiaguás com vistas à disputa por uma vaga ao Senado Federal nas eleições de 2026, a relação entre o Executivo e parte da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) tem se deteriorado, com parlamentares tradicionalmente alinhados ao governo passando a criticar abertamente a gestão após longo período de “política da boa vizinhança”.
A tendência de afastamento coincide com a aproximação do pleito eleitoral e a necessidade de deputados consolidarem seus próprios projetos para 2026, buscando visibilidade e respaldo entre eleitores e lideranças políticas. Entre os nomes que têm se destacado pela postura mais crítica ao governo estão Wilson Santos (PSD), Faissal Calil (PL), Gilberto Cattani (PL), Juca do Guaraná (MDB), Júlio Campos (União Brasil) e Janaina Riva (MDB), além de opositores históricos como Lúdio Cabral (PT) e Valdir Barranco (PT).
Os questionamentos dos parlamentares vão desde gestão orçamentária e prioridades de gasto até dificuldades nas negociações sobre empenho e execução de emendas parlamentares, que têm sido um ponto de tensão entre Legislativo e Executivo. Em reuniões e declarações públicas, deputados cobram maior transparência, agilidade e cumprimento das demandas regionais, criticando a forma como o governo tem tratado propostas e projetos encaminhados pela ALMT.
A aproximação do período eleitoral também altera as dinâmicas internas dos partidos. Apesar de Mendes ainda relutar em oficializar sua candidatura — afirmando que “só Deus sabe” seu destino político —, o cenário político mato-grossense já dá como certa sua disputa ao Senado em 2026 e articula sua renúncia em abril para se habilitar legalmente à corrida pelo Congresso.
A postura crítica dos deputados ocorre em um momento em que Otaviano Pivetta (Republicanos), vice-governador e provável sucessor de Mendes no cargo, já se prepara para assumir e escalar sua própria base política, prometendo dar continuidade às ações do governo sem “malabarismos”.
Especialistas ouvidos por veículos locais destacam que a intensificação das críticas internas pode antecipar o debate eleitoral em Mato Grosso, transformando a interação entre Legislativo e Executivo em um campo de disputa por apoios, visibilidade e definição de alianças que se consolidarão ao longo de 2026, influenciando diretamente o futuro político do estado.