Crise de confiança: o triângulo entre STF, governo e mídia no Brasil de 2025

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Crise de confiança: o triângulo entre STF, governo e mídia no Brasil de 2025

O balanço político e jurídico de 2025 deixou claro que o Brasil vive uma crise profunda de credibilidade institucional. A percepção generalizada de alinhamento entre o Supremo Tribunal Federal (STF), o Poder Executivo e parte da grande mídia provocou um sentimento crescente de desconfiança e polarização. A sociedade vê, com espanto, uma engrenagem estatal em que os freios e contrapesos — pilares da democracia — parecem enfraquecidos.

De acordo com levantamentos publicados por veículos como CNN Brasil e Poder360, cerca de nove em cada dez decisões do STF em pautas sensíveis ao governo Lula (PT) acabaram por favorecer o Executivo, direta ou indiretamente. Mesmo descontando os julgamentos de participantes dos ataques de 8 de janeiro, a Corte manteve uma postura vista por críticos como excessivamente protetiva ao governo, validando decretos, medidas econômicas e vetando projetos de oposição.

Essa tendência não pode ser analisada isoladamente. O Executivo expandiu seu campo de influência ao indicar ministros alinhados ao projeto político do Planalto — casos de Flávio Dino e Cristiano Zanin — consolidando uma maioria simpática ao governo em temas de impacto político direto. O resultado é um ambiente onde decisões judiciais e interesses políticos caminham perigosamente próximos, enfraquecendo a percepção de independência entre os Poderes.

Ao mesmo tempo, a mídia tradicional, que deveria cumprir o papel de contraponto crítico, tornou-se parte do problema. Grandes veículos — que durante o governo Bolsonaro atuaram com agressividade investigativa — passaram a tratar com leniência decisões e controvérsias envolvendo o atual governo e seus aliados. Essa seletividade editorial reforça a percepção de duplo padrão moral e mina o próprio jornalismo como instituição de vigilância do poder.

A consequência é um caos de legitimidade: de um lado, um STF que se comporta como protagonista político; de outro, um Executivo que se vale dessa blindagem para expandir seu poder; e, por fim, uma imprensa que oscila entre militância e silêncio estratégico. Esse arranjo desequilibra a democracia e desgasta a confiança popular nas instituições, especialmente entre quem já vê o sistema político-jurídico como instrumento de manutenção de poder e não de justiça.

Analistas como os da Chatham House e da Americas Quarterly alertam que o Brasil se aproxima de um ponto crítico: a erosão da legitimidade judicial. Quando cortes supremas passam a ser percebidas como atores políticos, não há vencedores — há apenas um Estado fragilizado, cuja estabilidade depende da confiança pública que lentamente se esvai.