Crise nos Correios: superintendente admite falta de recursos para 13º salário e acirra tensão trabalhista

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Crise nos Correios: superintendente admite falta de recursos para 13º salário e acirra tensão trabalhista

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) oficializou em audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST) que não terá recursos suficientes para pagar o 13º salário aos seus empregados em 2025, o chamado décimo terceiro, gerando forte reação de sindicatos e alimentando a crise interna da estatal.

Durante a reunião de conciliação com representantes sindicais, o superintendente-executivo de Gestão de Pessoas dos Correios afirmou que a estatal enfrenta uma grave crise financeira, sem caixa para garantir a tradicional gratificação de final de ano — uma preocupação que vinha crescendo entre trabalhadores. A declaração foi repetida por diferentes participantes e repercutiu nas redes sociais.

A situação alarmante ocorre em um contexto de prejuízos bilionários acumulados pela empresa e dificuldades em negociar linhas de crédito ou aportes do governo federal para equilibrar as contas. Segundo relatos de bastidores, a estatal teria registrado perdas significativas nos últimos meses, que se agravaram com a queda das receitas em serviços tradicionais frente à concorrência privada e custos operacionais crescentes.

A negativa de pagamento foi fortemente criticada por sindicatos e trabalhadores, que apontam que a falta de recursos para o décimo terceiro agrava a desvalorização salarial e reduz o poder de compra dos empregados. Entidades como a Findect classificaram a proposta dos Correios — que, além de não prever o 13º, mantinha o acordo coletivo sem reajuste salarial e sem compensação da inflação — como “frustrante”.

A crise já vinha se refletindo em mobilizações: sindicatos de trabalhadores dos Correios em ao menos sete estados aprovaram greve contra cortes e pela reposição de direitos, além de criticarem decisões ministeriais e a forma como a empresa vem conduzindo as negociações.

Em reação, a direção dos Correios afirma que busca alternativas de sustentabilidade financeira, incluindo negociações com o governo e avaliação de empréstimos ou linhas de financiamento emergencial, mas até o momento não há garantia de recursos suficientes para honrar o pagamento do 13º salário.

A apresentação da situação no TST intensifica um dos maiores conflitos trabalhistas da estatal na década, com possibilidade real de greve nacional e pressão sobre o tribunal para definir o acordo coletivo ainda antes do fim do ano.