Um levantamento exibido pelo Jornal Nacional nesta sexta-feira (2) colocou Cuiabá e Várzea Grande entre as cidades brasileiras que mais desperdiçam água tratada, justamente em um momento em que reservatórios do país operam próximos do limite e especialistas alertam para risco de desabastecimento em várias regiões.
Perdas acima da média nacional
De acordo com o levantamento citado na reportagem, as duas cidades mato-grossenses estão entre as capitais e regiões metropolitanas com maiores índices de perda de água no sistema de distribuição. Em média, mais de 50% da água tratada não chega às torneiras da população, sendo perdida em vazamentos, fraudes ou falhas de medição.
Causas estruturais e gestão precária
Em Cuiabá, os principais problemas apontados são vazamentos em redes antigas, ligações clandestinas e medidores obsoletos que dificultam o controle do consumo. A Águas Cuiabá, concessionária responsável pelo abastecimento, reconheceu as dificuldades e afirmou que investe em modernização do sistema e redução de perdas, mas admitiu que o índice ainda está acima do aceitável.
Em Várzea Grande, administrada pela autarquia Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG), a situação é semelhante. Boa parte da rede de distribuição é antiga e sofre com rompimentos e infiltrações. Além disso, a expansão irregular da cidade aumentou a quantidade de ligações clandestinas, o que compromete o controle do fornecimento e reduz a pressão de água nas regiões mais altas.
Risco de crise hídrica nacional
O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) e a Agência Nacional de Águas (ANA) emitiram alerta de que reservatórios do Centro-Oeste e Sudeste estão com níveis críticos após meses de chuvas abaixo da média. Caso o desperdício não seja controlado, o Brasil pode enfrentar restrições de abastecimento em áreas urbanas já neste primeiro semestre de 2026.
Especialistas afirmam que combater o desperdício é uma das medidas mais rápidas e eficazes para evitar a escassez. Segundo o engenheiro sanitarista Carlos Siqueira, “cada ponto percentual de água economizada equivale a milhões de litros que deixam de ser perdidos todos os dias”.
Medidas emergenciais e investimentos
Em resposta à reportagem, a Águas Cuiabá anunciou que vai ampliar o programa de substituição de tubulações antigas e instalar sistemas de monitoramento em tempo real. Já a prefeitura de Várzea Grande informou que planeja um projeto de reestruturação da rede hídrica com recursos federais e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Enquanto isso, moradores convivem com intermitência no abastecimento em diversos bairros, especialmente nas regiões periféricas. “Pagamos caro e ainda ficamos sem água várias vezes por semana”, reclamou a comerciante Maria do Carmo, moradora do bairro Cristo Rei, em Várzea Grande.
Desafio para 2026
O diagnóstico é claro: reduzir o desperdício virou prioridade urgente. Com o país enfrentando reservatórios baixos e clima irregular, cidades como Cuiabá e Várzea Grande terão de investir pesado em infraestrutura, fiscalização e educação ambiental para evitar uma nova crise hídrica.
Como destacou o Jornal Nacional, “a água que se perde nos canos é a mesma que faltará nas torneiras — e o tempo para agir está se esgotando”.