Até o momento, nove dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso articulam mudança de partido para disputar a reeleição em 2026. As movimentações partidárias indicam uma reconfiguração significativa na Assembleia Legislativa (ALMT), marcada por estratégias eleitorais e ajustes às alianças nacionais.
A maior debandada deve ocorrer no PSB, que, sob a liderança do presidente da Casa, Max Russi, pode perder toda a bancada eleita em 2022. Russi, ao lado dos deputados Fábio Tardin e Beto Dois a Um, deve migrar para o Podemos, numa tentativa de se afastar do palanque nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiado pelo PSB.
Já o deputado Doutro Eugênio deve se filiar ao Republicanos, que recentemente recebeu Nininho (ex-PSD) e aguarda a chegada de Chico Guarnieri, atualmente no PRD.
No campo da direita, o PL perdeu Elizeu Nascimento, que deve disputar a reeleição pelo Novo, mas ganhou o reforço de Faissal Calil, que deixou o Cidadania e oficializou filiação ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Paulo Araújo pretende deixar o PP e concorrer novamente pelo PRD.
Para o cientista político Carlos Dourado, as trocas refletem “uma disputa antecipada por espaços e identificação ideológica, mas também uma busca por sobrevivência eleitoral”. Já a professora de Direito Eleitoral da UFMT, Helena Moraes, lembra que “a janela partidária prevista para 2026 deve intensificar ainda mais o movimento”.
O analista político Rogério Salles avalia que a saída em massa do PSB “enfraquece a base do governo estadual e cria instabilidade nas alianças”. Segundo o jornalista Pedro Coutinho, o quadro reforça o cenário de fragmentação política. Já para a socióloga Maria Clara Ribeiro, “as mudanças mostram que, em Mato Grosso, o pragmatismo ainda pesa mais do que a coerência ideológica”.