Economia brasileira em 2026 deve desacelerar, com inflação controlada e juros ainda altos

· 2 min de leitura
Economia brasileira em 2026 deve desacelerar, com inflação controlada e juros ainda altos

Boletim Focus indica estabilidade de expectativas e cenário de desaceleração moderada, em meio a incertezas fiscais e externas

O último Boletim Focus de 2025, divulgado pelo Banco Central com base nas projeções de mais de 150 instituições financeiras e consultorias, mostra que o mercado espera um 2026 de crescimento econômico modesto, inflação sob controle e juros ainda em patamar elevado.

Segundo o relatório, o PIB deve avançar 1,80% em 2026, após um crescimento de cerca de 2,26% em 2025 — uma desaceleração esperada diante da política monetária restritiva e da perda de fôlego de setores como o agronegócio e os serviços. A expectativa para 2027 permanece semelhante, também em torno de 1,80%, o que sinaliza baixo dinamismo econômico nos próximos anos

Inflação sob controle, mas acima da meta

O mercado prevê que o IPCA, principal índice de preços ao consumidor, feche 2026 em 4,05%, levemente acima do centro da meta de 3,0% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ainda assim, o dado indica inflação sob controle e com trajetória descendente — já que em 2025 a projeção ficou em 4,32%.

O comportamento mais favorável da inflação reflete, segundo economistas, a combinação de crescimento mais lento e política monetária ainda restritiva, com a taxa Selic projetada em 12,25% ao ano no fim de 2026. Para 2027, o mercado aposta em redução gradual dos juros para 10,5%, acompanhando a convergência das expectativas de inflação.

Câmbio e contas externas

O dólar deve encerrar 2026 em torno de R$ 5,50, praticamente estável em relação ao valor atual, refletindo equilíbrio entre fluxos comerciais e incertezas externas. O saldo da balança comercial deve permanecer robusto, com superávit de US$ 66 bilhões, sustentado pelas exportações de commodities e a recuperação do investimento direto no país, que deve atingir US$ 74 bilhões.

Por outro lado, o déficit em conta corrente deve chegar a US$ 67 bilhões, o que indica maior saída de recursos em serviços e remessas, mas dentro de níveis considerados administráveis.

Situação fiscal ainda desafiadora

No campo fiscal, o Focus mostra projeção de déficit primário de 0,56% do PIB em 2026, e resultado nominal negativo de 8,61% do PIB — números que reforçam a preocupação com o equilíbrio das contas públicas. Já a dívida líquida do setor público deve alcançar 70,25% do PIB, continuando em trajetória ascendente.

Para o economista Eduardo Martins, da consultoria LCA, “o governo precisará demonstrar compromisso com o novo arcabouço fiscal e com o controle do gasto público para recuperar a confiança dos investidores e sustentar o crescimento”.

Cenário para os próximos anos

As projeções para 2027 e 2028 indicam crescimento moderado (1,8% e 2,0%), inflação em torno de 3,8% e Selic abaixo de 10%, sugerindo um ciclo de estabilização mais longo da economia. O relatório também mostra que o otimismo com o investimento direto estrangeiro (IDE) vem crescendo: a estimativa passou de US$ 73 bilhões para US$ 79,7 bilhões em 2025 e tende a se manter próxima desse nível em 2026.

Em resumo, o Boletim Focus de dezembro de 2025 aponta para um 2026 de transição: inflação mais baixa, câmbio estável, mas crescimento limitado e desafios fiscais persistentes.

“O Brasil caminha para um cenário de estabilidade, mas sem euforia — um ano de consolidação, não de aceleração”, resume o economista Marcelo Moraes, da consultoria Tendências.