Empresas brasileiras atravessam fronteira e se instalam no Paraguai em busca de ambiente mais competitivo

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Empresas brasileiras atravessam fronteira e se instalam no Paraguai em busca de ambiente mais competitivo

Nos últimos anos, um movimento crescente de empresas brasileiras transferindo parte de suas operações para o Paraguai tem chamado atenção de analistas e líderes do setor produtivo. Segundo reportagem recente, mais de 200 companhias brasileiras já se estabeleceram ou ampliaram operações no país vizinho, atraídas por um ambiente tributário mais simples e menor custo operacional do que no Brasil.

Esse fluxo não é apenas numérico, mas também qualitativo. Várias indústrias tradicionais do Brasil — especialmente nos setores têxtil, de confecção e fabricação de calçados — estabeleceram unidades fabris ou centros logísticos em cidades fronteiriças como Ciudad del Este. A presença de empresas como a Lupo, que após 104 anos decidiu instalar uma fábrica no Paraguai com investimento de cerca de R$ 30 milhões e redução de custos estimada em 28%, exemplifica essa tendência.

O regime de maquila, um modelo paraguaio que permite a importação de insumos com tratamento fiscal favorável e a aplicação de um imposto único de apenas 1% sobre valor agregado destinado à exportação, tem sido um diferencial decisivo para muitas dessas empresas brasileiras. De acordo com dados do órgão paraguaio responsável pela maquila, existem cerca de 248 empresas estrangeiras operando no país, das quais cerca de 180 são brasileiras — representando mais de 70% do total.

Outros fatores estruturais também impulsionam o movimento: carga tributária elevada, complexidade regulatória e maior burocracia no Brasil, além de vantagens como energia mais barata e um ambiente de negócios considerado mais estável no Paraguai. Esses elementos têm reduzido a competitividade de operações produtivas no Brasil e estimulado a relocalização.

Casos maiores incluem investimentos de marcas como Riachuelo, Estrela e Fiasul, que, segundo colunas econômicas publicadas nos últimos meses, também optaram por instalar unidades no Paraguai para ampliar capacidade de produção e exportação.

Especialistas em economia apontam que esse movimento pode representar um sinal de alerta para a economia brasileira, sobretudo se políticas tributárias e de regulação não forem revistas para recompor atratividade industrial e evitar perda de empregos e tecnologia para países vizinhos.

Assim, a migração corporativa para o Paraguai reflete uma reconfiguração do mapa produtivo regional, impulsionada por incentivos fiscais, custos operacionais mais baixos e um ambiente de negócios percebido como mais amigável, num contexto em que empresas buscam competitividade em um mercado global cada vez mais exigente.