Endividamento das famílias brasileiras chega a 49,3% da renda, diz Banco Central

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Endividamento das famílias brasileiras chega a 49,3% da renda, diz Banco Central

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,3% da renda acumulada em 12 meses em outubro de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (BCB) no relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito. O indicador representa quase metade da renda anual comprometida com dívidas como empréstimos, financiamentos e uso de crédito rotativo — e registra alta em relação ao mês anterior.

Além disso, o comprometimento da renda — a proporção do orçamento familiar destinado ao pagamento de parcelas e juros — alcançou 29,4% em outubro, também em aumento na comparação anual. Esse percentual mostra que quase três em cada dez reais de renda familiar estão sendo utilizados apenas para pagar dívidas.

O crescimento do endividamento ocorre em meio a juros elevados no crédito ao consumidor. O Banco Central informou que as taxas médias de juros cobradas em operações de crédito para famílias continuam altas: por exemplo, o crédito pessoal não consignado esteve acima de 100% ao ano, e o cartão de crédito rotativo superou 181% ao ano em novembro de 2025 — patamares que pressionam ainda mais o orçamento doméstico.

Especialistas e analistas financeiros destacam que a alta da taxa básica de juros (Selic), que chegou a 15% ao ano em 2025 para controlar a inflação, influencia diretamente o custo do crédito. Juros altos encarecem empréstimos e reduzem a capacidade de pagamento das famílias, tornando mais difícil sair da espiral de endividamento.

O crescimento do endividamento também se reflete em segmentos específicos do crédito. O crédito consignado privado, por exemplo, registrou aumento expressivo, expandindo demandado pelas famílias que buscam alternativas para equilibrar as finanças em um ambiente caro de crédito.

Embora a inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) tenha se mantido relativamente estável em 3,8% no total das operações em novembro, o cenário de endividamento elevado e juros altos pode elevar os riscos de atrasos e afetar o consumo e a confiança dos consumidores nos próximos meses.

O quadro mostrado pelo Banco Central reflete um contexto em que as famílias brasileiras enfrentam pressão crescente para honrar dívidas, com impacto direto no orçamento doméstico, no consumo e na capacidade de poupança. Especialistas alertam que, se a dinâmica de juros e crédito permanecer desfavorável, o aumento do endividamento pode restringir ainda mais o crescimento econômico e o bem-estar financeiro das famílias.

O que isso significa para as famílias

  • Menos renda para consumo e poupança: o aumento do comprometimento com dívidas limita gastos em bens, serviços e investimentos pessoais.
  • Maior vulnerabilidade econômica: famílias com orçamento apertado têm menos margem para enfrentar imprevistos financeiros.
  • Cuidado com novas dívidas: especialistas reforçam a importância de planejamento financeiro para evitar o uso excessivo de crédito caro, especialmente em ciclos de juros altos.

Esses números colocam em foco a necessidade de políticas e estratégias que incentivem educação financeira, acesso a crédito mais barato e mecanismos que ajudem as famílias a equilibrar suas finanças em um cenário econômico ainda desafiador.