Brasília — Nos últimos pronunciamentos televisivos, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro têm buscado consolidar narrativas políticas e morais, com repercussões variadas no debate público brasileiro.
Lula, em seu tradicional discurso de Natal pela cadeia nacional de rádio e TV, ressaltou conquistas sociais e programas de governo, além de afirmar que previsões pessimistas sobre a economia “não se confirmaram” ao longo do ano — uma declaração que foi apontada por checadores como imprecisa ou descontextualizada, especialmente sobre crescimento do PIB quando confrontada com dados técnicos prévios.
Pontos positivos do discurso presidencial incluem uma linguagem conciliadora e foco em programas sociais que dialogam com parcelas significativas da população, além do uso tradicional desse espaço institucional para reforçar a coesão e celebrar datas simbólicas. Em 2025, Lula fez cinco pronunciamentos na TV, reforçando temas como tarifas internacionais e políticas sociais ao longo do ano.
No entanto, os pontos negativos apontados por críticos envolvem o uso de dados imprecisos para fortalecer a narrativa governista, o que pode abalar a confiança em algumas afirmações factuais. Além disso, aliados políticos já criticaram Lula por contradições em seu discurso sobre relações internacionais e soberania diante de declarações externas recentes.
Por outro lado, Michelle Bolsonaro tem usado seus pronunciamentos com tom mais emocional e religioso, como em mensagem divulgada em 24 de dezembro, em que falou sobre provações, fé e perseverança diante de dificuldades.
Os aspectos positivos do discurso de Michelle incluem apelos à esperança e fé, que ressoam entre apoiadores mais conservadores e religiosos. Já o lado negativo é que declarações anteriores em eventos públicos, em que chegou a atacar Lula com termos depreciativos como “pinguço”, geraram alto índice de reprovação nas redes sociais (mais de 80% negativos) e ampliaram a polarização.
Em resumo, enquanto Lula busca legitimar políticas e resultados com apelos institucionais, mesmo que ocasionalmente use dados de forma imprecisa, Michelle Bolsonaro privilegia narrativas emotivas e simbólicas, muitas vezes mal recebidas fora da base bolsonarista — refletindo os desafios de cada campo político em comunicar propostas e consolidar confiança no eleitorado.