Esposas de políticos ganham protagonismo e podem redesenhar o cenário eleitoral de 2026

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Esposas de políticos ganham protagonismo e podem redesenhar o cenário eleitoral de 2026

A corrida eleitoral de 2026 começa a ser marcada por um movimento cada vez mais visível: a entrada de esposas de políticos tradicionais no jogo eleitoral, tanto em cargos proporcionais quanto majoritários. A estratégia, adotada por partidos de direita e também por legendas de esquerda, busca ampliar o alcance junto ao eleitorado feminino, fortalecer bases já consolidadas e, em alguns casos, renovar quadros com nomes de alta visibilidade pública.

Michelle Bolsonaro desponta como aposta nacional

No campo conservador, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) é vista como uma das principais apostas do partido para o Senado em 2026, especialmente pelo Distrito Federal. Pesquisas recentes a colocam em posição competitiva, muitas vezes liderando cenários eleitorais. O PL avalia que Michelle reúne forte apelo junto ao eleitorado evangélico e feminino, além de herdar parte significativa do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Gracinha Caiado e o fortalecimento regional

Em Goiás, Gracinha Caiado, esposa do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), também se movimenta para construir uma trajetória própria. Após 35 anos de casamento, ela passou a ganhar protagonismo político e é cotada para disputar o Senado ou outro cargo de relevância. Aliados veem sua eventual candidatura como peça-chave para consolidar alianças no Centro-Oeste e fortalecer o campo de centro-direita.

Virginia Mendes entra no radar em Mato Grosso

Em Mato Grosso, ganha força o nome de Virginia Mendes, esposa do governador Mauro Mendes (União Brasil). Reconhecida pela atuação à frente de projetos sociais e pela forte exposição institucional como primeira-dama, Virginia recebe incentivos de aliados para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. A possível candidatura é vista como estratégica para manter a influência do grupo político do governador em Brasília e ampliar a presença feminina na bancada federal do estado.

Outros nomes em avaliação pelo país

Em Alagoas, Marina Candia, esposa do prefeito de Maceió JHC (Cidadania), ainda avalia se entrará na disputa eleitoral. A indefinição reflete o cálculo político sobre viabilidade eleitoral e o momento mais adequado para estrear nas urnas.

No Rio de Janeiro, Lais Jordy, casada com o deputado federal Carlos Jordy (PL), planeja disputar uma vaga de deputada estadual. A movimentação pode gerar debates internos e até divisões familiares e partidárias, mas também amplia o alcance do grupo político no estado.

Em Mato Grosso, além de Virginia Mendes, outro nome citado é Samantha Iris (PL), esposa do prefeito de Cuiabá Abílio Brunini, que deve disputar uma vaga de deputada estadual, reforçando a estratégia do PL de ampliar bancadas locais com candidaturas femininas ligadas a lideranças do Executivo.

A esquerda também se movimenta

No campo progressista, Natalia Szermeta Boulos, esposa de Guilherme Boulos (PSOL), anunciou pré-candidatura à Câmara dos Deputados por São Paulo. Diferentemente de outros casos, Natalia tem destacado que pretende construir sua identidade política própria, sem atrelar sua campanha diretamente à imagem do marido.

Análise: estratégia eleitoral e eleitorado feminino

Para a cientista política Mayra Goulart, o fenômeno reflete uma estratégia clara, sobretudo dos partidos de direita, de lançar candidatas mulheres com alto reconhecimento público para dialogar com eleitoras e suavizar discursos tradicionalmente masculinos. Ao mesmo tempo, o movimento reacende debates sobre personalismo, hereditariedade política e formação de clãs, contrapostos ao argumento de maior participação feminina na política.

A entrada de esposas de políticos no cenário eleitoral promete movimentar a disputa de 2026, trazendo novas narrativas, ampliando a presença feminina e redesenhando estratégias partidárias. Se esse movimento representará renovação efetiva ou apenas continuidade de grupos tradicionais, será uma das principais questões a serem respondidas nas urnas.