Feriados de 2026 podem impactar desempenho das vendas no comércio, alertam economistas e empresários

· 2 min de leitura
Feriados de 2026 podem impactar desempenho das vendas no comércio, alertam economistas e empresários

O calendário de feriados nacionais e prolongados de 2026 deve ter efeito direto sobre o desempenho das vendas do comércio, especialmente no primeiro semestre, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com nove feriados nacionais caindo em dias de semana, muitos deles em quintas e sextas-feiras, o setor projeta perdas bilionárias em produtividade e faturamento, além de impactos na indústria e nos serviços.

De acordo com a CNC, o acúmulo de feriados em dias úteis pode gerar queda de até R$ 25 bilhões no volume de vendas do varejo ao longo do ano, caso não haja estratégias de compensação. O impacto é maior para o comércio de rua e os pequenos lojistas, que dependem do fluxo diário de consumidores.

“O problema não é o feriado em si, mas o excesso de feriados prolongados que reduzem o movimento nas lojas e encarecem a folha de pagamento, devido aos adicionais de jornada e plantões”, explica José Roberto Tadros, presidente da CNC.

Em 2026, Carnaval (17 de fevereiro), Sexta-Feira Santa (3 de abril), Corpus Christi (4 de junho) e Proclamação da República (16 de novembro) formarão feriadões de três a quatro dias, período em que o comércio de rua costuma registrar queda média de 30% nas vendas, segundo dados da FecomercioSP.

O cenário, no entanto, não é negativo para todos os segmentos. O turismo, hotelaria, gastronomia e o setor de combustíveis tendem a se beneficiar com o aumento das viagens e do consumo em regiões turísticas. “Cada feriado representa também uma oportunidade de movimentação econômica em outros setores. O que é perda para o varejo é ganho para o turismo”, observa Fábio Bentes, economista da CNC.

Já o comércio eletrônico deve absorver parte das perdas do varejo físico. As vendas online, que cresceram mais de 12% em 2025, devem continuar em alta em 2026, impulsionadas por promoções e entregas expressas, especialmente durante os feriados.

Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que concentram a maior parte das lojas e shoppings do país, entidades de classe estudam campanhas de incentivo ao consumo para os períodos de feriado, com descontos e horários especiais de funcionamento.

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) estima que o impacto médio dos feriados nas vendas do setor pode variar de 2% a 5% do faturamento anual, dependendo do mês e do tipo de produto.

“Em anos com muitos feriados em dias úteis, o comerciante precisa ser criativo: antecipar promoções, reforçar vendas online e aproveitar as datas comemorativas para compensar o menor movimento presencial”, recomenda Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.

Para 2026, economistas avaliam que o consumo das famílias deve se manter moderadamente aquecido, sustentado pelo aumento real da renda e pela queda gradual dos juros, mas alertam que o excesso de feriados pode reduzir o ritmo de recuperação em setores que dependem da circulação urbana e da rotina de trabalho.

Em contrapartida, setores como viagens, hotelaria e alimentação fora do lar devem experimentar crescimento acima da média nacional, reforçando uma tendência de reorganização do consumo brasileiro: menos gasto no varejo tradicional e mais investimento em lazer e experiências.