Queda da natalidade e envelhecimento da população transformam crescimento demográfico em dependente quase exclusivo da migração
Pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a França registrou em 2025 mais mortes do que nascimentos, um marco demográfico que acende alertas sobre envelhecimento populacional, sustentabilidade social e desafios econômicos. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE) mostram que o saldo natural da população foi negativo em cerca de 6 000 pessoas, resultado de 651 000 óbitos ante 645 000 nascimentos no ano passado.
O fenômeno reflete duas tendências interligadas: a queda contínua da natalidade e o aumento da mortalidade em função do envelhecimento da população e de fatores sazonais, como uma epidemia de gripe particularmente severa no início de 2025. A taxa total de fertilidade caiu para 1,56 filho por mulher, o nível mais baixo desde a Primeira Guerra Mundial, bem abaixo dos 2,1 filhos por mulher necessários para manter a população estável sem imigração.
A situação coloca a França ao lado de muitos países europeus que já enfrentam déficits naturais — entre eles Alemanha, Itália e Espanha — e que dependem cada vez mais da migração líquida para sustentar o crescimento populacional e evitar um declínio demográfico mais acentuado. Em 2025, a população francesa **cresceu ligeiramente (+0,25%) graças a um saldo migratório estimado em cerca de 176 000 pessoas, segundo o INSEE.
Especialistas demográficos destacam que fatores como mudanças nas aspirações de vida, custos elevados para criar filhos, instabilidade econômica, desafios para conciliar trabalho e família e um mercado imobiliário caro contribuem para a persistente queda da natalidade no país.
Apesar do crescimento migratório, as implicações da inversão do saldo natural são profundas e abrangem pensionistas, sistema de saúde e mercado de trabalho. Com uma parcela cada vez maior da população acima dos 65 anos e uma base de jovens relativamente estreita, a pressão sobre as finanças públicas e os regimes de previdência tende a aumentar nos próximos anos.
As autoridades francesas já debatem políticas públicas voltadas ao estímulo à natalidade — como reformas no licenciamento parental e apoios financeiros a famílias —, além de estratégias que equilibrem imigração e integração social em um cenário demográfico desafiador.
O episódio marca um divisor de águas na demografia francesa e sinaliza mudanças profundas nas estruturas sociais e econômicas do país, que nos próximos anos precisará encontrar respostas para uma população cada vez mais envelhecida e menos numerosa em suas faixas jovens.