Com a aproximação das eleições de 2026, o cenário econômico brasileiro voltou a ser alvo de intensos debates, com críticos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocando sob forte escrutínio as contas públicas e a condução fiscal da atual gestão. Enquanto o Executivo sustenta que enfrenta desafios herdados de administrações anteriores, economistas e analistas apontam que o aumento dos gastos públicos e a deterioração fiscal são próprios da atual gestão e podem representar uma “herança” problemática para o futuro.
Dados da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam uma trajetória ascendente da dívida pública bruta em relação ao PIB, que poderia ultrapassar 82% em 2025 e seguir crescendo em 2026, em comparação aos níveis de cerca de 71,7% no final de 2022. Esse movimento sinaliza uma deterioração do equilíbrio das contas públicas no período recente.
Especialistas têm destacado que parte desse aumento decorre não apenas do aumento das despesas correntes, mas também de estratégias contábeis que excluem determinados gastos da meta fiscal, um mecanismo que, segundo críticos, pode mascarar a real situação do déficit. Essa prática foi criticada por economistas de diferentes vertentes como um recurso de “contabilidade criativa” que cria uma percepção de controle dos números fiscais que não se traduz necessariamente em sustentação de longo prazo.
Analistas de mercado, incluindo a Goldman Sachs, alertaram recentemente que, independentemente dos resultados das eleições, será necessária uma mudança significativa na disciplina fiscal a partir de 2027 para evitar volatilidade no mercado financeiro e vulnerabilidades econômicas. Segundo esses analistas, o Brasil precisaria de um superávit primário substancial — bem acima das metas atuais — para estabilizar o endividamento.
O debate também envolve carga tributária e política fiscal: dados recentes mostraram que a arrecadação tributária atingiu patamares elevados nos últimos anos, o que, para críticos, reflete uma estratégia de maior tributação para financiar despesas crescentes, em vez de ajustes rígidos de gastos.
Enquanto o governo afirma que as regras do novo arcabouço fiscal estão sendo cumpridas, a oposição e parte do mercado destacam que o padrão de déficits persistentes, aumento da dívida e mecanismos contábeis para “fechar as contas” indicam fragilidades estruturais. Uma eventual necessidade de revisão do regime fiscal nos próximos anos — independente do próximo presidente — passou a figurar entre as discussões de analistas.
Nesse contexto, o debate eleitoral tende a articular narrativas sobre a responsabilidade fiscal do governo atual, os limites do arcabouço fiscal e os possíveis impactos de um quadro de despesas elevadas no futuro econômico do país, formulação que vem ganhando atenção à medida que o calendário político se aproxima.