O primeiro ano de mandato da prefeita Flávia Moretti (PL) na Prefeitura de Várzea Grande-MT, chega ao fim marcado por um cenário de instabilidade administrativa e desgaste político. Em apenas 12 meses, a gestora promoveu 16 mudanças no primeiro escalão, um recorde para a cidade e um reflexo das turbulências internas que têm caracterizado sua gestão.
De acordo com levantamento feito junto ao Diário Oficial do Município, as trocas envolveram secretarias estratégicas como Governo, Saúde, Obras, Educação e Finanças. Em alguns casos, substituições ocorreram em menos de três meses após as nomeações originais — o que, segundo servidores e vereadores, evidencia falta de articulação política e instabilidade na condução administrativa.
Entre os motivos apontados para as mudanças estão divergências internas, pressões políticas e crises de relacionamento entre secretários e a prefeita. Fontes da própria base governista afirmam que parte dos exonerados deixou os cargos por “incompatibilidade de gestão” e falta de autonomia técnica nas decisões.
Além da instabilidade no secretariado, Flávia Moretti enfrenta um clima de tensão com o vice-prefeito, Tião da Zaeli (PL), com quem teria rompido politicamente ainda no primeiro semestre. O vice, que inicialmente ocupava papel ativo na articulação de projetos e na coordenação de obras municipais, hoje atua de forma independente e tem feito críticas públicas à condução política da prefeita.
A crise de governabilidade se estende também à Câmara Municipal de Várzea Grande, onde Flávia conta com apenas um aliado fiel: o líder do governo, vereador Bruno Rios (PL). Outros parlamentares da legenda têm se distanciado do Executivo, criticando a falta de diálogo e a ausência de projetos estruturantes. O cenário de isolamento político tem dificultado a aprovação de matérias de interesse da administração.
Nos bastidores, vereadores relatam que a prefeita tem apostado em reformas administrativas e mudanças de cargos comissionados para tentar recompor sua base — estratégia que, até o momento, não surtiu o efeito esperado.
Analistas políticos avaliam que, embora a prefeita ainda disponha de tempo para reorganizar sua gestão, o primeiro ano foi marcado por erros estratégicos de articulação e pela falta de estabilidade no núcleo decisório. Se mantido o ritmo de trocas e tensões, o governo Moretti pode enfrentar dificuldades crescentes em consolidar sua imagem e entregar resultados concretos à população nos próximos anos.