Governo Lula: avanços reais, entregas parciais e ritmo lento no cumprimento de promessas eleitorais

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Governo Lula: avanços reais, entregas parciais e ritmo lento no cumprimento de promessas eleitorais

Apesar de marcos e realizações em áreas sociais, fiscais e diplomáticas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu apenas cerca de 28% das promessas de campanha até o momento, de acordo com levantamento feito a partir do programa de governo, manifestos públicos e compromissos firmados em 2022.

Apenas 28% das promessas cumpridas

Segundo levantamento da Folha de S.Paulo e reproduzido por diversos veículos, das 103 promessas eleitorais catalogadas, Lula conseguiu concluir 28% até o início de 2025 — com 29% em andamento, 25% em execução lenta e 17% paradas. Isso significa que apenas uma em cada quatro promessas foi totalmente cumprida em quase metade do mandato.

O ritmo de cumprimento também é consideravelmente inferior ao “ideal”: o governo tem cumprido, em média, uma promessa a cada 26 dias, enquanto uma execução mais acelerada exigiria cerca de uma promessa a cada 14 dias para cumprir todas em quatro anos.

Onde o governo avançou

Em áreas como políticas sociais e programas de renda, o governo conseguiu implementar medidas importantes, como o fortalecimento e ajustes no Bolsa Família e o lançamento de programas voltados à inclusão e proteção social — medidas que têm impacto direto na redução da pobreza e desigualdade.

Na economia, o governo avançou em reformas estruturais, como a votação de parte da reforma tributária, que reformula impostos sobre bens e consumo, e a aprovação do novo arcabouço fiscal, substituindo o antigo teto de gastos.

A política ambiental também teve destaque institucional, com a promoção de programas de proteção e recuperação de áreas como a Amazônia, além da reintegração de mecanismos financeiros como o Fundo Amazônia para combater o desmatamento — embora os resultados práticos ainda sejam objeto de debate.

Metas ainda lentas ou paradas

Por outro lado, promessas mais estruturais e complexas continuam avançando com lentidão ou estagnadas. Temas como transformações profundas na educação pública, ampliação e modernização do sistema de saúde, e agendas como a reforma agrária em larga escala não avançaram no mesmo ritmo previsto nas plataformas de campanha.

Além disso, áreas com impacto político relevante, como segurança pública e meio ambiente, ainda mostram muitos compromissos em andamento ou com execução lenta, indicando dificuldades administrativas ou resistências políticas que retardam entregas concretas.

Reação do governo e contexto político

A administração admite a disparidade entre promessas e entregas e, segundo declarações oficiais, justifica-a pela necessidade de consolidar políticas públicas e integrar ações de forma sustentável, abordando questões estruturais que exigem articulação e tempo maior de implementação.

Analistas políticos também apontam que o contexto legislativo fragmentado, com necessidade de articulação com diversos partidos e blocos no Congresso, além de desafios econômicos mais amplos, contribui para o ritmo mais lento de implementação das promessas mais ambiciosas.

Conclusão

O balanço pragmático dos três anos do governo Lula mostra um quadro misto: avanços relevantes em políticas sociais, reformas fiscais e diplomacia, acompanhados de ritmo lento no cumprimento de promessas estruturais e em áreas cruciais como educação, saúde e reforma agrária. A avaliação indica que, embora o governo tenha criado bases importantes para o desenvolvimento futuro, o ritmo de entrega ainda está aquém do projetado na campanha, exigindo esforços adicionais para a segunda metade do mandato e atenção contínua às prioridades sociais e econômicas do Brasil.