Governo Lula triplica gastos com mídia digital e levanta dúvidas sobre uso político da comunicação pública

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Governo Lula triplica gastos com mídia digital e levanta dúvidas sobre uso político da comunicação pública

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou de forma expressiva seus gastos com publicidade digital e campanhas em redes sociais desde 2023. Dados obtidos por levantamentos do Poder360, Revista Oeste e Revista Cenarium mostram que, em apenas três anos, o Planalto destinou entre R$ 69 milhões e R$ 149 milhões a anúncios em plataformas digitais — incluindo Meta (Facebook e Instagram), TikTok, Google e outras mídias online.

Em 2023, o investimento em campanhas digitais foi tímido, cerca de R$ 5 milhões. No ano seguinte, o volume triplicou para R$ 15 milhões, e em 2025 o salto foi ainda mais acentuado: R$ 49 milhões em impulsionamentos diretos e até R$ 129,6 milhões considerando toda a publicidade na internet. O número representa o maior patamar da série histórica desde 2009, segundo dados compilados de transparência pública.

O avanço chama atenção não apenas pelo ritmo, mas pelo momento político. Em meio a um cenário de estagnação econômica e pressões por corte de gastos, a ampliação da verba digital reforça críticas sobre o uso político da comunicação institucional, especialmente às vésperas das eleições de 2026. Especialistas alertam que a distinção entre campanhas informativas e autopromoção governamental vem se tornando cada vez mais nebulosa.

A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) defende que os investimentos seguem “critérios técnicos”, voltados à ampliação do alcance de políticas públicas. No entanto, a falta de transparência sobre métricas de desempenho e retorno social levanta dúvidas sobre eficiência e proporcionalidade dos gastos.

Enquanto o governo reforça sua presença digital, cresce o questionamento sobre o limite entre comunicação pública e marketing político. Em tempos de déficit fiscal e prioridades disputadas, gastar milhões para “impulsionar imagem” nas redes soa, no mínimo, contraditório. O Estado parece ter aprendido a dominar os algoritmos — mas não necessariamente a medir o custo ético de usá-los.