Irã em Chamas: Mortes em Protestos Superam 5 000 e Aiatolá Culpa Trump por "Conspiração Americana"

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Irã em Chamas: Mortes em Protestos Superam 5 000 e Aiatolá Culpa Trump por "Conspiração Americana"

Onda de manifestações antigovernamentais desencadeia repressão brutal, acusações mútuas entre Teerã e Washington e medo de novas execuções

A repressão aos protestos no Irã atingiu um marco dramático: pelo menos 5 000 pessoas foram mortas, segundo um funcionário iraniano que citou números verificados pelo governo e informou a agência Reuters. O total inclui cerca de 500 membros das forças de segurança, em confrontos que se intensificaram desde o início dos protestos em 28 de dezembro de 2025 — desencadeados inicialmente por queixas econômicas e transformados em um levante mais amplo contra o regime teocrático.

Em discurso transmitido pela mídia estatal, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu pelas primeiras vezes publicamente que “várias milhares” de pessoas foram mortas durante os confrontos e atribuiu a culpa ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a forças estrangeiras, classificando-os como parte de uma “conspiração americana” responsável pela violência.

Khamenei chamou Trump de “criminoso” e afirmou que Washington e outros países buscavam enfraquecer o Irã política, militar e economicamente. Ele insistiu que o governo iraniano não pretende iniciar uma guerra externa, mas enfatizou que não deixará “criminosos internacionais” impunes.

Organizações de direitos humanos, porém, oferecem estimativas diferentes do número de mortos, com a Human Rights Activists News Agency (HRANA) relatando mais de 3 300 mortes confirmadas e milhares de casos ainda em revisão, bem como cerca de 24 000 prisões em meio às manifestações e bloqueios de internet que dificultam a verificação independente dos fatos.

Enquanto isso, Trump tem usado as redes sociais e entrevistas para condenar o uso de força letal pelas autoridades iranianas, apelando por fim à violência e chegando a sugerir que “é hora de buscar nova liderança no Irã”. Ele também expressou críticas duras ao aiatolá Khamenei e colocou responsabilidade pela crise nas mãos do regime.

A escalada de violência e as retóricas de ambos os lados intensificam a tensão geopolítica, em um momento em que o governo iraniano enfrenta o desafio mais sério ao seu controle desde a Revolução Islâmica de 1979. O clima de conflito interno e acusações externas complica ainda mais a busca por soluções diplomáticas e agrava os riscos de novas ondas de violência e possíveis execuções sob leis severas de segurança interna.