Um dos principais jornais da Rússia, o Kommersant, informou que o presidente Vladimir Putin sinalizou que Moscou poderia estar disposto a negociar trocas de territórios com a Ucrânia como parte de um possível acordo de paz que busque pôr fim ao conflito entre os dois países, que já dura quase quatro anos.
A reportagem, assinada pelo correspondente no Kremlin, Andrei Kolesnikov, relata que Putin teria dito a empresários — em reunião no dia 24 de dezembro no Kremlin — que, embora deseje manter o controle completo da região do Donbas, poderia aceitar trocar algumas áreas atualmente sob controle russo por concessões ou garantias em um acordo com Kiev.
Segundo o Kommersant, essa possível disposição a negociar “trocas parciais de território” seria limitada fora de Donbas, que o Kremlin considera “sua” prioridade absoluta.
A possibilidade de um acordo territorial negociado surge no momento em que Estados Unidos e Ucrânia trabalham em um plano de paz em 20 pontos, que foi discutido em encontros recentes em Miami com representantes ucranianos e norte-americanos, e enviado à Rússia para análise.
Ainda assim, a posição oficial do Kremlin continua cautelosa. Autoridades russas, como o porta-voz Dmitry Peskov, têm adotado um discurso de que conversas estão em curso com os EUA, mas sem confirmar ou detalhar compromissos concretos, e que qualquer negociação pública poderia prejudicar as negociações em andamento.
Do lado ucraniano, a questão territorial permanece um ponto de grande sensibilidade. Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, tem afirmado que não pretende ceder território à Rússia sem garantias de segurança robustas, e que qualquer plano de paz deve incluir essas proteções — posição que reflete a rejeição popular e legal em Kiev a perdas territoriais.
Especialistas e líderes europeus alertam que a troca de territórios é controversa sob o direito internacional, pois pode criar precedentes perigosos, ao mesmo tempo em que a guerra continua no terreno e ataques ainda ocorrem em áreas como Kharkiv e Odesa.
Apesar da nova sinalização relatada pelo jornal russo, a condição de Donbas e outras regiões ocupadas, assim como a situação da usina nuclear de Zaporizhzhia, continuam entre os principais pontos de impasse em qualquer proposta de acordo de paz entre Moscou e Kiev.