Sondagem aponta que custo do financiamento e falta de linhas atrapalham investimentos, especialmente no longo prazo
Os juros elevados seguem limitando fortemente o acesso das indústrias brasileiras ao crédito, segundo dados da “Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025”, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). A pesquisa revelou que 80% das empresas industriais enfrentaram dificuldades ligadas a juros altos ao tentar obter crédito no ano passado, refletindo um dos principais entraves à expansão da produção e aos planos de investimento.
De acordo com o levantamento, divulgado nesta segunda-feira (19), a alta dos juros se apresenta como o principal obstáculo para o financiamento de curto e médio prazo (até cinco anos), citado por 80% dos industriais que relataram dificuldades de acesso ao crédito. Outros fatores mencionados foram a exigência de garantias reais (32%) e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).
No crédito de longo prazo, com vencimentos acima de cinco anos, a situação também é desfavorável: 71% dos empresários apontaram os juros altos como a principal barreira. Esse regime de custos elevados dificulta ainda mais investimentos estruturais, como expansão de capacidade produtiva, modernização tecnológica e inovação — áreas prioritárias para garantir competitividade em mercados interno e externo.
Outro efeito da conjuntura de juros elevados é a queda na busca por financiamento: 54% das empresas não tentaram contratar crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa, enquanto 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo. Esse comportamento reflete cautela diante do custo financeiro e restrições de liquidez que afetam o planejamento das empresas.
A análise também mostrou que médias empresas são particularmente impactadas, com 43% relatando que não conseguiram crédito de longo prazo, percentual superior ao observado entre pequenas (37%) e grandes companhias (27%).
Especialistas da CNI interpretam os resultados como sinal de que a política monetária restritiva — com a taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados — encarece o crédito e desestimula investimentos no setor produtivo, criando um ambiente de incerteza que pode frear o crescimento econômico.
A pesquisa ouviu 1.789 empresas industriais entre 1º e 12 de agosto de 2025, em um momento em que o setor enfrenta desafios para financiar projetos e manter competitividade num cenário de custos de capital elevados e condições financeiras apertadas.
O resultado reforça o debate sobre a necessidade de medidas que reduzam o custo do crédito e ampliem as linhas disponíveis, especialmente de longo prazo, como forma de apoiar a retomada de investimentos e o desenvolvimento industrial no país.