Mais brasileiros evitam o álcool e fabricantes se reposicionam para bebidas sem e com baixo teor alcoólico

· 2 min de leitura
Mais brasileiros evitam o álcool e fabricantes se reposicionam para bebidas sem e com baixo teor alcoólico

O mercado de bebidas no Brasil está passando por uma mudança estrutural impulsionada por novos hábitos de consumo: um número crescente de pessoas está reduzindo ou evitando o consumo de álcool, e fabricantes têm adaptado seus portfólios para atender à demanda por bebidas sem álcool ou com menor teor alcoólico.

Pesquisas recentes mostram que 53% dos brasileiros afirmam ter reduzido o consumo de bebidas alcoólicas no último ano, motivados por busca por bem-estar, saúde e escolhas conscientes de estilo de vida. Esses padrões se consolidam com maior intensidade entre as gerações mais jovens — inclusive a Geração Z, que demonstra menos interesse em bebidas alcoólicas do que as gerações anteriores.

Essa mudança está levando indústrias tradicionais de bebidas a reposicionarem seus produtos. Empresas ampliam a oferta de itens não alcoólicos ou de baixo teor de álcool, incluindo cervejas zero ou próximos de 0%, coquetéis “mocktails” e outras opções dirigidas a consumidores que desejam participar de eventos sociais sem álcool.

Um exemplo concreto desse comportamento é o crescimento expressivo do segmento de cerveja sem álcool no Brasil. Entre 2023 e 2024, a produção nacional de cerveja sem álcool saltou de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros — um aumento de mais de 536% — e a tendência é que continue subindo conforme ampliar a oferta e aceitação.

Essa expansão é refletida também em tendências globais: projeções do setor apontam que o mercado de bebidas sem e de baixo teor alcoólico deve continuar crescendo até 2028, com o Brasil identificado como um dos mercados de maior potencial ao lado de países como Estados Unidos e Canadá.

Os motivos para essa migração vão além da saúde. Consumidores citam aperfeiçoamento da experiência de consumo, bem-estar geral e até eventos sociais mais inclusivos e livres de ressacas como fatores que reforçam a escolha por bebidas alternativas ao álcool.

Por outro lado, os fabricantes enfrentam o desafio de desenvolver produtos que mantenham sabor, qualidade e identidade de marca, enquanto atraem consumidores habituais e novos públicos — seja moderando o teor alcoólico, seja oferecendo produtos totalmente livres de álcool, que já representam um segmento de destaque no panorama das bebidas.

Esse movimento aponta para uma redefinição cultural do consumo alcoólico no Brasil, impulsionada tanto por mudanças de hábitos quanto por inovação no setor de bebidas — um cenário que vai além de modismo, refletindo preferências mais duradouras dos consumidores.