Mato Grosso aparece em posição constrangedora nos indicadores de violência e expõe falhas na segurança pública

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Mato Grosso aparece em posição constrangedora nos indicadores de violência e expõe falhas na segurança pública

Mato Grosso voltou a figurar em indicadores negativos de violência, com dados recentes apontando o estado no 2º lugar entre os estados do Centro-Oeste em casos de latrocínio, ficando atrás apenas do Distrito Federal e à frente de Goiás e Mato Grosso do Sul — um resultado que contraria discursos oficiais que o colocam como referência regional em segurança pública.

Latrocínio é o roubo seguido de morte, considerado um dos crimes mais graves dentro do espectro da violência letal patrimonial. A posição de destaque de Mato Grosso nesse índice tem sido motivo de preocupação entre especialistas, já que expõe desafios crônicos no enfrentamento de crimes violentos contra o patrimônio e contra a vida.

Outro dado alarmante relacionado à violência no estado é a liderança nacional em feminicídios, crimes motivados pela condição de gênero, com taxa de 2,5 casos por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional de 1,4 caso para cada grupo de 100 mil habitantes. Essa realidade coloca Mato Grosso no topo do ranking brasileiro de feminicídios, evidenciando a dificuldade das políticas públicas em proteger mulheres e prevenir esse tipo de violência.

Especialistas afirmam que o alto número de feminicídios reflete não apenas a incidência de atos violentos, mas também falhas nas estratégias de prevenção e de proteção a potenciais vítimas. Embora as autoridades policiais tenham registrado eficiência na elucidação de casos — com alta taxa de autoria esclarecida — isso não tem sido suficiente para reduzir a ocorrência desses crimes.

A combinação desses dois indicadores — latrocínio e feminicídio — projeta um cenário preocupante: apesar de esforços pontuais e de iniciativas de instituições de segurança, a violência letal ainda persiste em níveis elevados no estado, desafiando gestores públicos e exigindo estratégias mais amplas e integradas que considerem prevenção, inteligência policial, políticas sociais e mecanismos de proteção comunitária.

Organizações da sociedade civil e especialistas em segurança pública defendem que o enfrentamento eficaz da criminalidade em Mato Grosso passe por ações que vão além da repressão, envolvendo programas educacionais, ampliando a presença social e fortalecendo redes de proteção especialmente para grupos vulneráveis, como mulheres e jovens, que são frequentemente as principais vítimas.

O quadro atual desmonta narrativas oficiais de melhoria contínua em segurança pública no estado e aponta para a necessidade de uma revisão das políticas adotadas, com foco tanto na redução de crimes como na prevenção e apoio às vítimas.