Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, revelações sobre negócios mantidos pelos empresários brasileiros Joesley e Wesley Batista em território venezuelano voltaram a dominar o noticiário político e a gerar repercussões internacionais. Segundo colunas de bastidores, a suposta proximidade dos irmãos com o regime de Maduro — agora identificado por aliados norte-americanos como “narcoditadura” — teria contribuído para prolongar o mandato do líder chavista e provocado irritação no governo de Donald Trump, que acompanha com atenção os desdobramentos da prisão do ex-mandatário.
A repercussão negativa ganhou impulso com a informação de que negócios da dupla Batista com Maduro teriam sido colocados sob sigilo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocando surpresa e crítica por parte de setores políticos que veem na ação uma tentativa de encobrir relações controversas em um momento de tensão diplomática.
Na arena política interna, opositores afirmam que a reação nervosa de Lula diante da prisão do suposto “amigo e parceiro” Maduro não se deve apenas a interesses ideológicos, mas ao temor de que relações comerciais e financeiras sejam expostas, especialmente diante da reação adversa de Washington.
Um dos pontos mais sensíveis na narrativa que circula na imprensa é a suposta intermediação de recursos financeiros ligados a Maduro em campanhas políticas brasileiras, inclusive à campanha presidencial do PT, que teria recebido dólares do governo venezuelano por meio de operadores políticos — incluindo episódios relatados em delações anteriores, como a de Mônica Moura, consultora e ex-assessora de campanhas, que descreveu em depoimento recebimento de dinheiro “malas de dinheiro, várias… quase semanalmente”, entregues pessoalmente por Maduro.
Essa associação entre negócios privados dos irmãos Batista, sigilo oficial sobre transações e a crítica da oposição quanto à influência de Maduro na política brasileira intensificou o debate nas redes sociais e meios políticos, com aliados de Trump nos EUA destacando que relações assim podem prejudicar a imagem internacional do Brasil e complicar relações bilaterais num momento em que a prisão de Maduro representa uma vitória simbólica para a política externa norte-americana.
Apesar das especulações, não há confirmação oficial de que o governo dos EUA esteja adotando medidas punitivas específicas contra Joesley e Wesley Batista, nem de envolvimento direto de Lula em decisões de sigilo que violem a transparência legal. O episódio, ainda assim, reforça tensões diplomáticas e alimenta uma intensa disputa narrativa entre governo, oposição e imprensa sobre as relações empresariais e políticas entre Brasil e Venezuela em um contexto de instabilidade regional pós-prisão de Maduro.