O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro passou sua primeira noite detido em Nova York, após ter sido capturado por forças dos Estados Unidos durante a operação militar realizada em Caracas na sexta-feira (2). A informação foi confirmada neste sábado (3) pelo Departamento de Justiça americano, que divulgou detalhes sobre o local e as condições de detenção do ex-chefe de Estado, acusado de narcoterrorismo, corrupção e violação de direitos humanos.
Detido em presídio de segurança máxima
Maduro foi transferido para o Metropolitan Correctional Center (MCC), no distrito de Manhattan, uma unidade de segurança máxima que já abrigou réus de alto perfil, como o narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán e o financista Jeffrey Epstein. Segundo o Departamento de Justiça, o venezuelano foi colocado em cela isolada, sob vigilância 24 horas, “por razões de segurança nacional e risco de atentado”.
De acordo com fontes citadas pela rede CNN International, Maduro não resistiu à prisão, mas se manteve em silêncio durante o interrogatório inicial. Ele teria recebido a visita de advogados americanos designados de ofício, enquanto sua defesa oficial — composta por juristas venezuelanos e espanhóis — ainda tenta autorização para acesso consular.
Acusações e próximos passos
O ex-presidente enfrenta quatro acusações criminais nos tribunais federais dos EUA, incluindo conspiração para narcotráfico e terrorismo internacional, lavagem de dinheiro e uso de armamento pesado em associação com grupos ilegais. O processo será conduzido pela Corte Federal do Distrito Sul de Nova York, uma das mais rigorosas em crimes transnacionais.
A procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, afirmou que “Maduro será tratado como qualquer criminoso internacional que desafiou as leis americanas e os direitos humanos”. A audiência preliminar está marcada para segunda-feira (5), quando será decidido se o réu permanecerá em regime fechado ou poderá aguardar o julgamento sob custódia diplomática.
Ambiente político e repercussões
A prisão do ex-líder venezuelano foi recebida com repercussão mundial. Enquanto aliados históricos de Caracas, como Cuba, Rússia e China, classificaram a detenção como “ato de agressão imperialista”, países como Estados Unidos, Argentina e Polônia defenderam a operação como “um marco na luta global contra regimes autoritários e o narcotráfico”.
Na Venezuela, a notícia da transferência de Maduro foi recebida com protestos isolados de grupos chavistas e comemorações nas ruas de Caracas por opositores. O governo provisório instalado sob supervisão americana afirmou que a prisão “representa o início da reconstrução democrática do país”.
Condições de custódia
Fontes do sistema prisional informaram que Maduro segue em cela individual, sem privilégios diplomáticos, alimentando-se com a mesma dieta básica dos detentos e sem acesso a comunicação externa, exceto por sua equipe jurídica. A segurança em torno do MCC foi reforçada por agentes do FBI e do U.S. Marshals Service, que monitoram o perímetro e eventuais tentativas de ataque ou resgate.
“As autoridades tratam Maduro como um preso de alto risco, tanto por sua relevância política quanto pelo potencial de reação internacional”, afirmou o analista americano Robert Ellis, especialista em segurança nacional.
Com a confirmação de que o ex-presidente venezuelano permanecerá sob custódia federal até nova deliberação judicial, o caso promete se tornar um dos julgamentos mais acompanhados do mundo em 2026, reacendendo o debate sobre soberania, intervenção e justiça internacional.