BRASÍLIA – Em uma reviravolta que redefine o tabuleiro eleitoral para o pleito de 2026, oito governadores de diferentes regiões do país confirmaram, no limite do prazo de desincompatibilização que se encerra neste sábado (4), a decisão de não renunciar aos seus mandatos. Ao optarem por permanecer nas chefias dos Executivos estaduais até 31 de dezembro, os gestores abrem mão de concorrer a cadeiras no Senado Federal ou à Presidência da República, priorizando a conclusão de seus cronogramas de obras e a manutenção do controle político local.
A decisão conjunta, embora tomada de forma individual, reflete um pragmatismo diante das incertezas econômicas. Entre os nomes que encabeçam essa lista estão figuras de peso nacional como Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR) mantiveram o projeto estadual antes de qualquer aventura ao Planalto.
Em cinco estados, os governadores romperam com seus vices e decidiram não se candidatar para não entregar o cargo para um potencial adversário. Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) fica no posto, mas o clima é de consenso. Ele vai apoiar a volta do seu antecessor, Renan Filho (MDB).
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), optou por ficar no cargo após romper com o seu vice Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual. A dupla renúncia resultaria em uma eleição indireta para um mandato-tampão, com cenário incerto na Assembleia Legislativa.
Fátima era uma das principais apostas do PT para ampliar a bancada no Senado, mas adiou seus planos para garantir um palanque forte para Lula e tentar emplacar como sucessor o seu secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT).
No Maranhão, o governador Carlos Brandão (sem partido) e o seu vice Felipe Camarão (PT) protagonizam uma disputa ferrenha no campo político e judicial. Ambos enfrentam pedidos de afastamento do cargo e se mantêm alertas até a data limite da desincompatibilização.
A tendência é que os dois estejam em palanques opostos: o governador escolheu para a sucessão o sobrinho Orleans Brandão (MDB) enquanto Camarão pode ser candidato ao governo ou apoiar Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luís.
Também ficam no cargo Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), todos em fim de mandato e enfrentando rusgas com os seus vices.
Os Motivos da Permanência
Analistas políticos apontam que a escolha de "ficar" não é apenas um gesto de compromisso administrativo, mas uma estratégia de sobrevivência e sucessão. Um dos principais fatores é a Continuidade de Projetos: o desejo de inaugurar obras estruturantes que só serão concluídas no segundo semestre de 2026. Além disso, ao permanecer no cargo, o governador mantém o controle sobre o orçamento, o que lhe confere maior poder de barganha na escolha e no apoio ao seu sucessor.
O Impacto no Cenário Nacional
A desistência desses nomes altera significativamente a disputa pelo Senado Federal. Com duas vagas em disputa por estado em 2026, esperava-se que os governadores fossem os favoritos naturais. Sem eles no páreo, abre-se um vácuo que deve ser preenchido por deputados federais de alto clero e ex-ministros.
No caso de Eduardo Leite e Ronaldo Caiado (que, ao contrário de Leite, optou pela renúncia para focar na Presidência), a divisão no PSD mostra que a legenda terá estratégias distintas para cada região.
Reações nas Assembleias Legislativas
A notícia foi recebida com alívio por parte das bases aliadas nas Assembleias Legislativas, pois evita a ascensão imediata de vice-governadores que, em muitos casos, pertencem a partidos de oposição ou possuem projetos políticos divergentes dos atuais titulares.
"A decisão de concluir o mandato é um pacto de responsabilidade com o eleitor. Não podemos deixar projetos pelo caminho em nome de ambições eleitorais precoces", afirmou Eduardo Leite em coletiva recente.
Conclusão do Ciclo
Com a data limite para a desincompatibilização atingida, o gesto deste grupo envia um recado claro: em 2026, a prioridade para esses estados será a estabilidade administrativa. Enquanto nomes como Romeu Zema (Novo-MG) e Cláudio Castro (PL-RJ) deixaram seus cargos para tentar novos voos (Presidência e Senado, respectivamente), o grupo dos oito aposta na força da entrega final para consolidar seus legados políticos.