Operação Carbono Oculto: Líderes de Esquema de Lavagem são Localizados na Líbia e Negociam Delação

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Operação Carbono Oculto: Líderes de Esquema de Lavagem são Localizados na Líbia e Negociam Delação

TRÍPOLI/BRASÍLIA – Em um desdobramento cinematográfico da Operação Carbono Oculto, a Polícia Federal (PF) localizou o paradeiro de dois dos foragidos mais procurados do país: os empresários conhecidos como Beto Louco e Primo. Escondidos na Líbia, país do norte da África marcado por instabilidade institucional, a dupla iniciou conversas com autoridades brasileiras para um possível acordo de colaboração premiada.

Ambos são apontados como os cérebros de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com ramificações que, segundo os investigadores, abastecem as finanças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Rota de Fuga e a Localização

Após a deflagração da Carbono Oculto no ano passado, Beto Louco e Primo conseguiram deixar o Brasil utilizando passaportes falsos, passando por países da Europa e do Oriente Médio antes de se estabelecerem em Trípoli. A localização foi possível graças ao monitoramento de comunicações criptografadas e ao apoio da Interpol.

A escolha da Líbia como refúgio não foi aleatória. O país possui tratados de extradição frágeis com o Brasil, o que dificultaria uma captura imediata. No entanto, o cerco da PF e o congelamento de bens e contas bancárias no exterior parecem ter forçado os investigados a sentar à mesa de negociações.

O Esquema: Combustíveis e Lavagem

A investigação detalha como o grupo utilizava uma rede de postos de gasolina e distribuidoras de fachada para "limpar" recursos oriundos do tráfico de drogas. Estima-se que o esquema tenha movimentado mais de R$ 2 bilhões nos últimos três anos.

As principais práticas incluíam:

  • Adulteração de notas fiscais: Simulação de compra e venda de insumos químicos.
  • Blindagem patrimonial: Uso de laranjas e empresas offshore para ocultar os verdadeiros donos do capital.
  • Conexão com o Crime Organizado: A PF sustenta que o setor de combustíveis tornou-se o principal motor financeiro do PCC pela facilidade de movimentar grandes quantias em espécie.

Delação Premiada e a Defesa

Os advogados de Beto Louco e Primo confirmaram que os clientes estão em "território internacional seguro" e que mantêm contato com o Ministério Público Federal (MPF) para estruturar uma delação. A expectativa é que, em troca de redução de pena, eles entreguem nomes de agentes públicos e outros empresários que davam suporte ao esquema.

Em nota, as defesas dos empresários adotaram um tom enfático:

"Nossos clientes negam veementemente qualquer ligação com facções criminosas. As atividades exercidas eram estritamente empresariais e eventuais irregularidades serão esclarecidas no foro adequado, preservando-se a verdade dos fatos."

O que está em jogo?

Se a delação for homologada, a Operação Carbono Oculto pode atingir o "andar de cima" do setor de energia no Brasil. Investigadores acreditam que a dupla possui provas de esquemas de cartel e corrupção em órgãos reguladores que permitiam a operação irregular das distribuidoras ligadas ao grupo.

A Polícia Federal aguarda agora os trâmites diplomáticos para que os investigados retornem ao Brasil de forma voluntária — uma das condições impostas para o fechamento do acordo. O caso sublinha o alcance global das investigações brasileiras contra o crime organizado e o uso de paraísos geopolíticos por réus da Justiça.

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