Uma nova pesquisa de opinião pública — cujas partes dos resultados circulam em redes sociais e trechos comentados por analistas políticos — tem sido interpretada por diversos setores como um diagnóstico sobre a persistência do bolsonarismo e uma expressão de insatisfação com o modelo político tradicional no Brasil. A análise sugere que o fenômeno ligado a Jair Bolsonaro nos últimos ciclos eleitorais reflete, para muitos pesquisadores, uma crise mais ampla das instituições e da política formal no país.
Levantamentos de institutos como Ipespe mostram que, mesmo após o fim de seu mandato e desdobramentos judiciais, cerca de 35% dos entrevistados consideram que Bolsonaro seria um bom nome para retornar à presidência, destacando a continuidade de apoio entre parcelas significativas da população e a resiliência do bolsonarismo no espectro político. Essa base de apoio, embora inferior à de candidatos como Lula, indica que a polarização permanece um fator central no cenário nacional.
Especialistas afirmam que esse padrão também é reflexo de uma desconfiança profunda nas elites políticas tradicionais e nas instituições democráticas, que não teriam conseguido responder a demandas sociais por inclusão, redução de desigualdades e maior governança. Esse contexto teria aberto espaço para a emergência de lideranças antissistema e populistas, como Bolsonaro em 2018, que se beneficiaram do desgaste de partidos tradicionais e da erosão da confiança pública na política.
Outras pesquisas sobre as eleições de 2022 e 2023 indicaram que metodologias de sondagem não captaram com precisão certos segmentos do eleitorado — especialmente os mais conservadores ou que veem as instituições oficiais com ceticismo — revelando lacunas nos modelos tradicionais de pesquisa e dificuldades de medir fenômenos políticos intensamente polarizados.
Analistas políticos destacam que a persistência de um eleitorado bolsonarista, mesmo após períodos de desaprovação geral e questões judiciais, pode ser interpretada tanto como crise da política partidária quanto como expressão de cultura política polarizada, em que grupos sociais se alinham fortemente com narrativas antagônicas sobre democracia, Estado e governança. Essa dinâmica é vista por críticos como um sintoma do que chamam de “fracasso da política” em responder às expectativas de grande parte da sociedade brasileira.
Apesar de divulgar números específicos ser mais complexo devido à fragmentação das fontes, o consenso entre analistas é que pesquisas recentes apontam para um cenário político com alta polarização, aprovações e rejeições intensas e dificuldade dos métodos convencionais de sondagem em captar nuances — apontando, para muitos, um quadro de crise de representação democrática no Brasil contemporâneo.