Operação mira organização criminosa instalada na Polícia Civil; delegado é apontado como um dos líderes do esquema de "venda de liberdade"
A Polícia Federal (PF), com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, deflagrou nesta terça-feira (10 de março de 2026) uma operação para desarticular uma quadrilha formada por policiais civis do Rio de Janeiro. O grupo é acusado de montar uma estrutura de extorsão sistemática contra lideranças do Comando Vermelho (CV). Entre os presos, destaca-se um delegado titular, apontado como um dos chefes do esquema.
O Esquema: "Mercadoria de Presos"
A investigação revela que os policiais utilizavam informações privilegiadas sobre mandados de prisão e movimentações de traficantes para realizar abordagens ilegais. Em vez de efetuar a prisão e encaminhar os criminosos à justiça, o grupo exigia pagamentos milionários em troca da liberação dos alvos ou da não apreensão de carregamentos de drogas e armas.
Os principais pontos revelados pela PF incluem:
- Negociação Direta: O delegado e seus agentes mantinham canais de comunicação com advogados e intermediários do CV para "vender" a liberdade de chefões da facção.
- Valores Exorbitantes: Em um dos casos monitorados, o grupo teria exigido R$ 2 milhões para não realizar o flagrante de um importante gerente de tráfico na Zona Norte do Rio.
- Lavagem de Dinheiro: Os valores da extorsão eram lavados por meio de empresas de fachada e aquisição de imóveis de luxo e carros blindados em nomes de laranjas.
Limpeza nas Instituições
A prisão do delegado e de seus agentes causou forte impacto na cúpula da segurança pública fluminense. A Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL) informou que já instaurou processos administrativos que podem resultar na demissão a bem do serviço público. A PF ressaltou que a corrupção de agentes da lei é um dos principais combustíveis para o fortalecimento das facções, uma vez que permite que criminosos de alta periculosidade permaneçam nas ruas mediante pagamento de propina.