PL endurece discurso e aposenta composições no debate pela sucessão do Palácio Paiaguás

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PL endurece discurso e aposenta composições no debate pela sucessão do Palácio Paiaguás

A sucessão do Palácio Paiaguás ganhou um capítulo decisivo nesta semana com o Partido Liberal (PL) em Mato Grosso adotando um tom muito mais duro em relação às negociações políticas para as eleições estaduais de 2026. O presidente estadual da sigla, Ananias Filho, deixou claro que o PL não pretende formar qualquer aliança com o projeto político do atual governador Mauro Mendes e do vice-governador Otaviano Pivetta, rompendo definitivamente diálogo com o grupo que hoje governa o Estado.

Segundo Ananias, o PL já teria “o quadro fechado” para 2026, com o senador Wellington Fagundes como pré-candidato ao governo do Estado e o senador Flávio Bolsonaro como nome do grupo para a Presidência da República, sem margem para ambiguidades ou apoios intermediários. “Quem quiser caminhar conosco precisa assumir esse projeto”, afirmou o dirigente, ressaltando que campanha “tem que pegar na mão, andar na praça e dizer claramente com quem está”.

O presidente do PL foi ainda mais incisivo ao abordar a possibilidade de Mauro Mendes integrar o palanque bolsonarista, especialmente se decidir disputar uma vaga ao Senado: Mendes só teria espaço se assumisse compromisso com a direita bolsonarista — um recado claro ao governador.

O gesto marca o aprofundamento do afastamento entre o PL e o União Brasil, partido de Mendes, em meio a conflito político que envolve embates públicos com lideranças ligadas ao bolsonarismo e uma disputa cada vez mais visível por uma hegemonia no campo da direita no estado.

No Palácio Paiaguás, o governador segue reforçando a indicação de Otaviano Pivetta como seu candidato natural, numa estratégia que também busca abrir espaço para uma eventual candidatura ao Senado em 2026. Esse movimento, porém, enfrenta resistência tanto no PL quanto em outras alas da direita, que veem risco de fragmentação do eleitorado conservador.

A divisão no campo conservador abre uma janela inédita para a esquerda em Mato Grosso. Nomes desse espectro, como a deputada Natasha Slhessarenko, têm sido mencionados nos bastidores como possíveis beneficiários de um cenário com candidaturas fortes e concorrentes à direita.

Com as declarações de Ananias Filho, a sucessão em Mato Grosso entra em 2026 com a direita mais fragmentada e com disputas internas que prometem redefinir não apenas o futuro do Palácio Paiaguás, mas também o equilíbrio político do estado.