Caso envolvendo o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto e a soldado Gisele Santana ganha novos contornos; perícia busca vestígios de violência
A Polícia Civil de São Paulo confirmou nesta segunda-feira (23 de março de 2026) que a linha de investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar, Gisele Santana, incluiu uma análise minuciosa sobre as circunstâncias de uma relação sexual ocorrida na véspera do óbito. O marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, admitiu o ato em depoimento, mas a polícia apura se houve consentimento ou se o episódio configura violência sexual antes do desfecho fatal.
Os Pontos Centrais do Inquérito
A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foca em contradições e evidências físicas para determinar a natureza do ocorrido:
- Depoimento do Oficial: O tenente-coronel afirmou que a relação foi consensual e parte da rotina do casal. No entanto, investigadores buscam entender o estado emocional e físico de Gisele nas horas que antecederam sua morte.
- Exames de Corpo de Delito: A perícia do Instituto Médico Legal (IML) é considerada a peça-chave. Os legistas buscam por escoriações, hematomas ou qualquer sinal de resistência que possa desmentir a versão de consensualidade.
- Histórico do Casal: Vizinhos e familiares estão sendo ouvidos para traçar um perfil da relação. Relatos de brigas anteriores ou comportamentos controladores por parte do oficial podem reforçar a tese de um ambiente de violência doméstica.
O Contexto da Morte
Gisele Santana foi encontrada morta em circunstâncias que a defesa do tenente-coronel inicialmente tentou classificar como suicídio ou morte natural súbita. Contudo, a Polícia Civil trata o caso com cautela extrema, especialmente dada a alta patente do envolvido e a possibilidade de feminicídio.
- Preservação da Cena: Houve questionamentos sobre se a cena do crime foi devidamente preservada antes da chegada da perícia técnica, dado o acesso facilitado do oficial ao local.
- Análise de Dispositivos: Celulares de ambos foram apreendidos para perícia digital, buscando mensagens ou áudios que indiquem o teor da interação entre o casal naquela noite.
Repercussão nas Corporações
O caso gera forte tensão interna na Polícia Militar de São Paulo. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que acompanha o inquérito e que, paralelamente à investigação civil, a Corregedoria da PM abriu um procedimento administrativo para avaliar a conduta ética do tenente-coronel.