Polícia Federal vai investigar influenciadores digitais por campanha contra o Banco Central e em defesa do Banco Master

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Polícia Federal vai investigar influenciadores digitais por campanha contra o Banco Central e em defesa do Banco Master

BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) instaurou, nesta sexta-feira (9), um inquérito para investigar influenciadores digitais suspeitos de participação em uma campanha coordenada de desinformação contra o Banco Central (BC) e em defesa do Banco Master, instituição financeira atualmente em processo de liquidação extrajudicial.

De acordo com fontes ligadas à investigação, o caso foi encaminhado à Superintendência de Combate aos Crimes Cibernéticos da PF, que vai apurar possível atuação orquestrada de perfis nas redes sociais com o objetivo de pressionar autoridades e influenciar a opinião pública em meio às disputas judiciais envolvendo a liquidação do banco.

Os investigadores apontam indícios de que influenciadores receberam pagamentos ou benefícios indiretos para promover conteúdos com ataques a diretores do Banco Central e elogios ao ministro Alexandre de Moraes, que havia determinado a suspensão temporária da liquidação do Banco Master no fim de 2025.

Segundo informações preliminares, a PF solicitou dados de plataformas como Instagram, X (antigo Twitter), YouTube e TikTok, para identificar origem, financiamento e vínculos de patrocínio das publicações. A apuração também deve alcançar empresas de marketing digital e assessorias de comunicação que possam ter intermediado contratos ou repasses financeiros.

“Trata-se de um caso sensível que mistura desinformação, influência política e mercado financeiro. O objetivo é identificar se houve manipulação de informação com impacto econômico ou tentativa de coação institucional”, explicou um delegado ouvido sob reserva.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acompanha o inquérito e deverá avaliar se há indícios de crime contra o sistema financeiro, associação criminosa, lavagem de dinheiro e difusão de informações falsas com interesse econômico — práticas previstas na Lei nº 7.492/1986 e na Lei nº 13.834/2019.

O Banco Central informou, em nota, que colabora com as autoridades e reforçou que atua com total transparência técnica e legal. A instituição classificou como “grave” a disseminação de “conteúdos enganosos sobre decisões administrativas e judiciais que podem afetar a estabilidade financeira”.

Especialistas em direito digital afirmam que a investigação pode se tornar um marco na responsabilização de influenciadores por campanhas de desinformação com impacto econômico. “Quando o discurso digital afeta o mercado financeiro ou instituições públicas, passa do limite da opinião e entra no campo da ilicitude”, avalia Patrícia Peck, advogada especialista em crimes cibernéticos.

Ainda segundo a PF, o inquérito corre sob sigilo, mas as primeiras oitivas devem ocorrer nas próximas semanas, com convocação de influenciadores, empresários e advogados ligados ao caso.

A apuração acontece em meio à crescente tensão entre o Banco Central, o STF e investidores do Banco Master, após o órgão regulador ter colocado sob sigilo suas comunicações institucionais com o ministro Alexandre de Moraes sobre o processo de liquidação.

As autoridades afirmam que o foco agora é rastrear o financiamento das postagens e verificar se houve tentativa deliberada de interferir em decisões de regulação financeira — o que pode configurar crime de obstrução administrativa e manipulação de mercado.