A revista The Economist, em um editorial publicado no fim de dezembro de 2025, defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria disputar a reeleição em 2026, especialmente por causa de sua idade e dos riscos associados a isso. Lula tem 80 anos e, caso fosse reeleito, completaria 85 ao fim de um eventual novo mandato — uma idade que, segundo a publicação, traz riscos à estabilidade política e institucional.
O editorial compara diretamente Lula com Joe Biden, presidente dos EUA que desistiu de tentar a reeleição em 2024 diante de críticas quanto à sua capacidade cognitiva associada à idade avançada. The Economist alerta que “carisma não é um escudo contra o declínio cognitivo” — uma frase que resume a principal preocupação da revista com líderes muito velhos no poder.
Além da idade, a análise britânica menciona outros problemas percebidos no governo Lula:
- A revista descreve as políticas econômicas como “medíocres”, questionando a capacidade do governo de impulsionar crescimento sustentável e resolver questões estruturais do país.
- Cita a percepção de que escândalos de corrupção ligados a Lula em mandatos anteriores ainda não foram totalmente superados, o que poderia pesar eleitoralmente caso ele concorra novamente.
- Ressalta que a contínua centralidade de Lula na política brasileira limita a renovação de lideranças dentro da esquerda, algo que a revista considera importante para a democracia brasileira.
Esse argumento editorial recebeu reação de lideranças do PT e aliados do presidente. A ministra Gleisi Hoffmann, por exemplo, criticou publicamente a publicação, afirmando que a crítica teria mais a ver com temores sobre a continuidade de políticas sociais e econômicas do governo do que com avaliação objetiva da capacidade de Lula.
Politicamente, The Economist também observa que a ausência de uma alternativa clara na esquerda contribui para a manutenção de Lula como figura dominante — um fator que, na visão da revista, faz com que o Brasil “mereça opções melhores” em 2026.
Do ponto de vista da percepção pública brasileira, as críticas da revista se inserem em um debate mais amplo sobre renovação política, polarização e limites do poder continuado de líderes históricos. Enquanto alguns veem a opinião de The Economist como um apelo por alternância de poder, outros críticos acusam a revista de aplicar um critério de idade que poderia ser interpretado como ageísmo — isto é, preconceito com base na idade — em vez de uma avaliação estritamente técnica da capacidade de governar.
Em suma, a posição de The Economist combina preocupações sobre idade e desempenho cognitivo com críticas às estratégias políticas e econômicas do governo, fomentando um debate intenso sobre liderança, renovação e futuro da política brasileira.