Prefeito de Cuiabá-MT critica descarte irregular de lixo, mas ignora falhas na gestão urbana

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Prefeito de Cuiabá-MT critica descarte irregular de lixo, mas ignora falhas na gestão urbana

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, denunciou o descarte irregular de lixo nas calçadas e bocas de lobo na região central da capital. Segundo ele, a prática adotada por alguns comerciantes seria uma das principais causas dos entupimentos nas galerias pluviais e dos alagamentos que atingem a cidade durante o período de chuvas.

Embora o alerta do prefeito tenha fundamento — o lixo urbano realmente agrava os problemas de drenagem —, a fala expõe também uma tentativa de transferir responsabilidades. A poluição e o entupimento das galerias não decorrem apenas da falta de consciência dos lojistas, mas de uma soma de fatores, incluindo a ausência de fiscalização eficaz, a deficiência na coleta de resíduos e a precariedade da infraestrutura de drenagem da capital.

Especialistas em urbanismo lembram que o acúmulo de lixo nas ruas é um reflexo da desorganização dos serviços públicos. “A população tem sua parcela de culpa, mas cabe à prefeitura garantir a manutenção e o planejamento adequado da cidade. Falar em responsabilidade cidadã sem investir em infraestrutura e educação ambiental é um discurso incompleto”, afirma uma arquiteta e urbanista em anonimato.

Moradores e comerciantes do centro também contestam a narrativa do prefeito. Muitos relatam que a coleta de lixo é irregular e que as bocas de lobo passam meses sem limpeza. “É fácil culpar o comerciante, mas ninguém aparece para limpar quando a água sobe e entra nas lojas”, comenta dono de uma papelaria na região central da capital.

Ao usar as redes sociais para expor o problema, Brunini adota uma estratégia comum entre gestores públicos: responsabilizar a população por falhas estruturais. A fala, embora correta em parte, carece de autocrítica e planejamento. Sem ações concretas — como a ampliação da coleta seletiva, campanhas de conscientização e manutenção periódica das galerias —, os vídeos de denúncia se tornam apenas mais um recurso retórico em meio ao lamaçal que inunda a capital todos os anos.