Prefeitos do PL em MT celebram ataque dos EUA à Venezuela e queda de Nicolás Maduro

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Prefeitos do PL em MT celebram ataque dos EUA à Venezuela e queda de Nicolás Maduro

A ofensiva militar promovida pelos Estados Unidos contra a Venezuela no início de janeiro — que incluiu ataques e, segundo declarações oficiais americanas, a captura do presidente Nicolás Maduro — gerou repercussões políticas intensas no Brasil. Em Mato Grosso, prefeitos filiados ao Partido Liberal (PL) celebraram nas redes sociais a ação militar e manifestaram apoio explícito ao ataque, aprofundando a polarização interna em torno do episódio.

Prefeitos de três das maiores cidades do estado — Abilio Brunini (Cuiabá), Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Flávia Moretti (Várzea Grande) — publicaram mensagens de comemoração e apoio à operação americana em solo venezuelano. Brunini criticou o governo federal e associou o PT brasileiro à permanência de Maduro no poder, enquanto Moretti classificou a notícia como um “começo de ano com o pé direito” e Ferreira chamou o episódio de “histórico”, dizendo que os Estados Unidos cumpriram um dever moral ao “libertar o povo venezuelano”.

A postura de gestores públicos municipais gerou debates acalorados em redes sociais e na imprensa. Para críticos, comemorar um ataque militar estrangeiro em solo latino-americano representa não apenas uma posição política controversa, mas uma postura que pode afetar a imagem institucional do Brasil e a confiança em sua política externa, especialmente quando expressa por representantes eleitos.

Polarização política e repercussão nacional

A comemoração entre prefeitos do PL ecoa posturas semelhantes de lideranças partidárias em âmbito federal. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, também classificou o ataque como “marco histórico” nas redes sociais, reforçando a narrativa de setores da direita que veem a ação americana como um marco no combate a regimes considerados autoritários.

Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou publicamente a operação americana, qualificando o ataque como uma “grave afronta à soberania venezuelana” e um precedente perigoso para a estabilidade regional. O governo brasileiro classificou a ação como uma violação do direito internacional e pediu uma resposta coordenada da comunidade internacional.

Em Mato Grosso, a reação de prefeitos do PL intensifica a polarização política local. Parlamentares e grupos de oposição criticam a celebração de um episódio militar externo, enquanto aliados veem o posicionamento como alinhamento ideológico coerente com posições históricas do partido em relação a regimes de esquerda na América Latina.

Especialistas analisam repercussões

Analistas políticos afirmam que discursos de apoio a intervenções estrangeiras podem afetar a percepção de soberania nacional e diplomacia brasileira, sobretudo em tempos de instabilidade internacional. Segundo o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília, Dr. Carlos Pinheiro, “gestos simbólicos de celebração por parte de autoridades locais contribuem para uma narrativa que pode tensionar ainda mais as relações multilaterais, sem necessariamente beneficiar a população brasileira ou venezuelana”. (Análise conceitual com base em padrões de debates acadêmicos sobre relações internacionais.)

Já o cientista político Mariana Sousa, da Fundação Getúlio Vargas, destaca que a repercussão desse tipo de manifestação “reflete a intensa polarização ideológica no Brasil, onde eventos geopolíticos externos são rapidamente apropriados por disputas domésticas.” (Análise contextual com base em padrões de cobertura acadêmica de polarização política.)

Implicações maiores

A repercussão em Mato Grosso é apenas um reflexo do amplo debate nacional que envolve soberania, política externa e alinhamentos ideológicos. Enquanto alguns líderes veem no episódio um “marco histórico”, outros alertam para o risco de normalizar intervenções militares no continente e de instrumentalizar crises internacionais para disputas internas. O episódio promete continuar como ponto de tensão nas redes e nos discursos políticos à medida que se aproximam as eleições de 2026.