O Procon-SP aplicou uma multa de R$ 1,5 milhão à marca de cosméticos WePink, fundada pela influenciadora Virgínia Fonseca e administrada pelo grupo WePink Comercial de Cosméticos Ltda., após constatar uma série de irregularidades nas relações de consumo, incluindo atrasos em entregas, falhas no atendimento pós-venda e ausência de informações obrigatórias no site da empresa.
A penalidade foi divulgada nesta segunda-feira (29) e decorre de uma investigação aberta em 2024, quando o órgão recebeu centenas de reclamações de consumidores relatando demoras de até dois meses nas entregas, dificuldade de contato com a empresa e ausência de resposta a pedidos de reembolso ou troca de produtos.
De acordo com o Procon, a WePink descumpriu artigos do Código de Defesa do Consumidor ao não garantir informações claras sobre prazos, canais de atendimento e políticas de devolução. A falta de transparência e de suporte eficiente configurou, segundo o órgão, “violação do dever de boa-fé e da confiança nas relações de consumo”.
Procurada, a empresa afirmou em nota que “está revendo seus processos internos e colaborando com os órgãos de defesa do consumidor” e que “já foram tomadas medidas para reduzir o tempo de entrega e aprimorar o suporte aos clientes”.
A WePink, conhecida por campanhas de marketing de alto alcance e pelo uso intenso da imagem de Virgínia Fonseca — que possui mais de 45 milhões de seguidores nas redes sociais —, tem sido alvo recorrente de críticas por problemas de qualidade e logística. Consumidores apontam que o poder de influência digital da marca não tem sido acompanhado pela mesma eficiência operacional.
Especialistas em direito do consumidor destacam que o caso ilustra um conflito crescente entre marketing digital e responsabilidade empresarial. Para o advogado Eduardo Silva, “a credibilidade de uma marca não se constrói apenas com engajamento online, mas com respeito ao consumidor e cumprimento da lei”.
A WePink ainda pode recorrer da decisão, mas, até o momento, o Procon mantém a penalidade válida. O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de influenciadores que se tornam empresários — e os limites entre fama, publicidade e prestação de serviço de qualidade.