Quaest: Desconfiança no STF supera confiança pela primeira vez na história

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Quaest: Desconfiança no STF supera confiança pela primeira vez na história

Levantamento aponta marca histórica de ceticismo com a Corte; 51% dos brasileiros declaram não confiar no Supremo Tribunal Federal

Uma pesquisa inédita do instituto Quaest, divulgada nesta quinta-feira (12 de março de 2026), revela um dado alarmante para a cúpula do Judiciário brasileiro: pela primeira vez desde o início da série histórica, o índice de desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) superou o de confiança. O resultado reflete o desgaste da imagem da Corte em meio a decisões polêmicas e à forte polarização política que atravessa o país.

O levantamento, realizado entre os dias 6 e 9 de março, ouviu 2.004 pessoas presencialmente. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais e um intervalo de confiança de 95%, os números detalham o atual sentimento da população:

  • Desconfiam (Não confiam/Confiam pouco): 51%
  • Confiam (Confiam muito/Confiam): 44%
  • Não sabem/Não responderam: 5%

Fatores do Desgaste

Analistas políticos associam essa inversão histórica a eventos recentes que colocaram o STF no centro do debate público. A percepção de um "ativismo judicial", o envolvimento de ministros em embates diretos com lideranças políticas e as recentes revelações sobre trocas de mensagens entre magistrados e investigados (como no caso do banqueiro Daniel Vorcaro) contribuíram para a deterioração do prestígio da instituição.

A pesquisa também mostra um recorte ideológico acentuado: a desconfiança é significativamente maior entre eleitores que se identificam com a direita e o centro, enquanto o apoio à Corte permanece mais sólido entre os eleitores de esquerda, embora também tenha apresentado oscilação negativa nesse grupo.

Impacto nas Instituições

Este patamar de desconfiança acende um alerta para a estabilidade democrática, uma vez que o STF é o guardião final da Constituição. A perda de legitimidade perante a opinião pública pode dificultar o cumprimento de decisões judiciais sensíveis e alimentar discursos de reforma do Judiciário ou imposição de mandatos para os ministros, temas que já tramitam com força no Congresso Nacional.