Pela primeira vez na história recente, as redes sociais ultrapassaram a televisão como meio mais utilizado pelos brasileiros para se informar sobre política — um marco que evidencia a transição tecnológica em curso na comunicação pública e eleitoral. Segundo uma pesquisa divulgada em janeiro de 2026 pelo instituto Quaest, 39% dos brasileiros afirmaram usar redes sociais como principal fonte de informação política, contra 34% que citaram a TV. Essa é a primeira vez que esse cenário se repetiu em uma série de levantamentos do instituto, sinalizando uma mudança contínua nos hábitos de consumo de informação no país.
Especialistas apontam que esse fenômeno não se limita ao Brasil. O Digital News Report 2025, do Instituto Reuters, demonstrou que em vários países — inclusive nos Estados Unidos — as redes sociais já superaram a televisão como principal via de acesso a notícias e informações políticas, com plataformas digitais dominando o engajamento, especialmente entre jovens adultos.
Estudos de organizações como o UOL MediaTalks também mostram que plataformas como YouTube e Instagram lideram o consumo semanal de notícias no Brasil, enquanto jornais impressos têm queda contínua e apenas um pequeno grupo ainda os considera fonte principal. Isso reforça a tendência de migração do público para ambientes digitais, onde notícias e opiniões são consumidas em ritmo acelerado.
Essa transformação digital impacta diretamente as campanhas políticas, que agora investem pesado em estratégias online. A comunicação eleitoral passou a depender de conteúdos curtos, interativos e personalizados — formatos que se espalham rapidamente nas redes sociais e moldam percepções de eleitores de forma mais dinâmica do que os meios tradicionais. Parte dessa evolução está ligada à forma como as redes sociais permitem interações diretas com o público e criam comunidades de engajamento político, fenômeno explorado em estudos acadêmicos sobre comunicação visual e política digital no Brasil.
Apesar da ascensão das redes sociais, analistas alertam que o modelo híbrido — que combina meios tradicionais e digitais — ainda é relevante, pois uma parte significativa da população continua a consumir informação por meio da televisão e de veículos jornalísticos tradicionais.
A migração para as redes sociais também levanta debates sobre desinformação e polarização, já que a velocidade e o alcance das plataformas podem amplificar conteúdos sem verificação de fatos. A crescente influência dos algoritmos e a participação de influenciadores digitais no debate político inserem desafios adicionais para campanhas e para a sociedade, que precisa equilibrar acesso rápido à informação com responsabilidade e qualidade jornalística.