O Rio Grande do Norte pode ter uma eleição indireta para escolher o governador do Estado em 2026, num desfecho político considerado atípico em meio às articulações da sucessão antecipada. A possibilidade ganhou corpo nas últimas semanas diante da possibilidade de vacância simultânea dos cargos de governadora e vice-governador, o que abriria espaço para uma escolha pelos deputados estaduais em vez de voto direto popular.
A atual governadora do Estado, Fátima Bezerra (PT), anunciou a intenção de renunciar ao mandato para disputar uma cadeira no Senado nas eleições de 2026, conforme veiculado por veículos locais. A desincompatibilização é necessária para possíveis candidaturas proporcionais e majoritárias, e pode ocorrer no primeiro trimestre do próximo ano. Em contrapartida, o vice-governador Walter Alves (MDB) tem sinalizado que pode não assumir o cargo, optando por disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou outro cargo eletivo, o que reforça a perspectiva de vacância no comando do Executivo potiguar.
Pela legislação estadual vigente, numa situação de dupla vacância, a sucessão inicialmente caberia ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), atualmente deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). No entanto, declarações recentes sugerem que ele não pretende assumir o governo, já que isso poderia inviabilizar sua participação nas eleições de 2026.
Diante desse impasse, a saída colocada nos bastidores políticos é a realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para escolher um “governador tampão”, responsável por conduzir o Estado até o fim de 2026. Para isso, seria necessária uma resolução da ALRN definindo as regras do pleito, além de mudanças eventuais na legislação estadual.
Na hipótese de eleição indireta, nomes de consenso interno têm sido debatidos nos bastidores, com parlamentares sugerindo o secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, como um possível nome para assumir a chefia do Executivo até dezembro de 2026 — desde que atenda aos requisitos legais previstos para o cargo.
O cenário político no Rio Grande do Norte ainda está em formação e sujeito a movimentos partidários e negociações entre legendas. A indefinição sobre quem assumirá o governo estadual marca um processo que pode se tornar um dos mais incomuns da política potiguar, com repercussões legais e institucionais importantes para o calendário eleitoral de 2026.