Tarifas impostas pelo México a China, Brasil e outros países entram em vigor

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Tarifas impostas pelo México a China, Brasil e outros países entram em vigor

Medida comercial com alíquotas de até 50% em mais de 1,4 mil produtos visa proteger indústrias e empregos — e pode afetar exportações brasileiras

Nesta quinta-feira (1º de janeiro de 2026), o México implementou um pacote de tarifas de importação recém-aprovado pelo seu Congresso que incide sobre produtos vindos de países com os quais o país não tem acordos de livre comércio, incluindo China, Brasil, Índia e outros países da Ásia e África. A mudança representa um marco nas políticas comerciais da nação e pode ter reflexos no comércio internacional.

As novas tarifas, publicadas no Diário Oficial da Federação em dezembro de 2025, cobrem mais de 1.400 linhas de produtos e variam tipicamente de 5% a 50%, dependendo do setor e da classificação do bem. Entre os segmentos afetados estão automóveis e autopeças, têxteis, calçados, brinquedos, plásticos, vidros, aço e itens de uso doméstico e industriais.

O pacote tarifário foi aprovado pelo Congresso mexicano em dezembro, com forte apoio do partido governista Morena. A presidenta **Claudia Sheinbaum e autoridades econômicas defenderam a medida como necessária para proteger empregos e induzir a reindustrialização do país em áreas consideradas vulneráveis à competição externa.

Na justificativa oficial, o Ministério da Economia do México afirmou que a política não tem como alvo específico nenhum país, mas se aplica a todas as nações sem acordos comerciais preferenciais com o México — o que inclui o Brasil. O governo também ressaltou que a maior parte das tarifas não incide sobre bens essenciais e que a medida busca criar “condições de competitividade mais equilibradas para a indústria nacional”.

Analistas econômicos, porém, veem a iniciativa como uma forma de alinhamento às pressões dos Estados Unidos, maior parceiro comercial do México, especialmente no contexto da revisão do USMCA (Tratado entre EUA, México e Canadá) prevista para 2026. A adoção de tarifas mais elevadas contra importações asiáticas pode ajudar a reduzir o déficit comercial do México com países como a China e atender a demandas de maior proteção da produção industrial local.

Impactos econômicos e reações internacionais

Para o Brasil, estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que cerca de 15% das exportações brasileiras ao México podem ser afetadas pelas novas tarifas, especialmente em produtos manufaturados e componentes industriais que competem com alternativas chinesas no mercado mexicano.

O governo brasileiro divulgou uma nota conjunta entre os ministérios das Relações Exteriores e da Economia afirmando que mantém “contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeitos das mudanças tarifárias”, sinalizando preocupação com impactos comerciais e logísticos.

A China, que é a origem de grande parte dos produtos afetados, reagiu por meio de porta-voz do Ministério do Comércio, classificando a medida como “equivocada, unilateral e protecionista”, e pediu que o México reveja a política.

Além de protestos diplomáticos, países como a Índia também sinalizaram que podem adotar “medidas apropriadas” para proteger seus exportadores diante das tarifas.

Contexto global e comércio internacional

A mudança remete a um período recente de tensões comerciais na América do Norte, impulsionadas pela política de tarifas ampla adotada pelos Estados Unidos e pela necessidade de proteger setores industriais domésticos. A reforma mexicana formaliza e amplia essas iniciativas, incorporando a tarifação elevada em sua Lei de Impostos Gerais de Importação e Exportação e consolidando uma direção mais protecionista na política comercial.

Especialistas alertam que, embora o impacto inflacionário direto no México seja estimado em aproximadamente 0,2% pelo Ministério das Finanças local, o efeito sobre cadeias de suprimentos regionais pode ser maior, sobretudo em setores como automotivo e têxtil, que dependem de componentes importados.