The Economist diz que Lula não deveria se candidatar à reeleição em 2026

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The Economist diz que Lula não deveria se candidatar à reeleição em 2026

A revista britânica The Economist publicou um editorial nesta terça-feira (30/12/2025) afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria disputar a reeleição em 2026, uma posição que já repercute no debate político brasileiro e internacional. A avaliação foi publicada na seção Leaders, responsável por editoriais que expressam a opinião institucional da publicação.

No texto, a revista coloca a idade de Lula — 80 anos — como o principal argumento contra uma nova candidatura, afirmando que líderes com mais de 80 anos representam “riscos elevados para a estabilidade política e institucional”, mesmo quando experientes e populares. A publicação compara o presidente brasileiro ao ex-chefe de Estado americano Joe Biden, que desistiu de concorrer à reeleição em 2024 em meio a debates sobre sua capacidade cognitiva e idade avançada.

Segundo a Economist, “carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, e Lula poderia encerrar um eventual quarto mandato aos 85 anos, o que, na visão da revista, aumentaria incertezas políticas e institucionais no Brasil.

A publicação também faz críticas às políticas econômicas do governo atual, descrevendo-as como “medíocres”, com foco em programas de transferência de renda e medidas de arrecadação que seriam menos amistosas aos negócios, ainda que tenha avançado em temas como a simplificação tributária. Ela sugere que a permanência de Lula no centro da política brasileira limita a renovação política e defende que o país merece “opções melhores” no próximo pleito.

O editorial da revista ainda aborda o cenário da direita para 2026, classificando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “impopular” e “ineficaz”, enquanto aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um nome mais “ponderado e democrático”.

Especialistas em política observam que a posição da Economist entra em um debate mais amplo sobre liderança sênior e sucessão política no Brasil, especialmente em ano eleitoral, quando as discussões sobre renovação de lideranças e saúde dos candidatos ganham ainda mais relevância.

A recomendação da revista tem sido recebida com críticas por parte de aliados de Lula, que enxergam o texto como uma interferência editorial no processo político brasileiro, e por opositores, que veem na avaliação uma oportunidade de reforçar o debate sobre futuros candidatos e alternativas políticas para 2026.