Em um dos capítulos mais decisivos da longa disputa entre a popular plataforma de vídeos TikTok e o governo dos Estados Unidos, a empresa anunciou nesta quinta-feira (22) a criação de uma joint venture com controle majoritário americano para evitar uma possível proibição do aplicativo no país.
A nova entidade, chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, será controlada em sua maior parte por investidores dos EUA e outros internacionais, deixando a dona chinesa ByteDance com participação minoritária. A medida busca atender a exigências legais decorrentes de uma lei de 2024 que determina que aplicações consideradas sob “controle de adversários estrangeiros” precisem ser vendidas ou enfrentem proibições.
Segundo comunicados da empresa, os principais investidores da nova joint venture incluem gigantes como Oracle, o grupo de investimentos Silver Lake e a companhia MGX — cada um com cerca de 15% de participação. Essa estrutura busca reforçar a proteção de dados de mais de 200 milhões de usuários americanos, além de garantir privacidade e cibersegurança.
A estratégia encerra anos de intensos debates, que remontam a 2020, quando o então presidente Donald Trump tentou banir o aplicativo por motivos de segurança nacional. Naquele ano, e novamente em 2024, o tema ganhou apoio de parte do Congresso americano, que aprovou legislação exigindo a separação das operações norte-americanas da TikTok.
A decisão foi recebida com mensagens de apoio de Trump, que celebrou em redes sociais o acordo e ressaltou o papel do aplicativo junto a públicos jovens.
Apesar da celebração, a iniciativa não está isenta de críticas. Alguns membros do Congresso, como o senador Ed Markey, pediram investigação sobre a falta de transparência no acordo e se os termos realmente garantem independência do algoritmo frente a influências estrangeiras.
Analistas consideram a joint venture um compromisso pragmático que preserva a presença do TikTok no mercado norte-americano, ao mesmo tempo em que tenta tranquilizar legisladores preocupados com segurança nacional.