União Europeia aprova acordo comercial histórico com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações

· 2 min de leitura
União Europeia aprova acordo comercial histórico com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações

BRUXELAS — A União Europeia (UE) aprovou provisoriamente nesta sexta-feira (9 de janeiro de 2026) um acordo comercial abrangente com o Mercosul, bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, em uma das negociações comerciais mais longas da história dos dois blocos. A decisão foi tomada por uma maioria qualificada de Estados-membros da UE, abrindo caminho para que o pacto seja assinado formalmente e, posteriormente, ratificado pelos parlamentos europeus e pelos países do Mercosul.

O acordo, negociado há mais de 25 anos e considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas, prevê a criação de uma ampla zona de livre-comércio entre os dois blocos, integrando mercados que somam cerca de 700 milhões de pessoas. Com a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo com os países do Mercosul já na próxima semana, possivelmente em Assunção (Paraguai).

A implementação do acordo ainda depende da aprovação pelo Parlamento Europeu e, em alguns casos, por parlamentos nacionais, mas o aval dado pelos embaixadores dos 27 Estados-membros foi considerado um marco significativo após décadas de impasse.

Para Bruxelas, o tratado é uma peça estratégica em um contexto de competição global, ajudando a diversificar mercados, reduzir tarifas e ampliar o acesso a recursos naturais e setores industriais, em um momento em que a UE busca diminuir dependência de parceiros tradicionais e enfrentar barreiras tarifárias em outros mercados, como os impostos pelos Estados Unidos.

Oposição e protestos internos

Apesar da aprovação, o pacto enfrenta críticas intensas dentro da própria UE. França, tradicional potência agrícola europeia, foi um dos países que votaram contra a aprovação e liderou um grupo de nações preocupadas com o impacto de produtos agrícolas sul-americanos no mercado europeu.

Em diversos países europeus, agricultores promoveram protestos com bloqueios de rodovias e manifestações, alertando que o acordo pode intensificar a concorrência de produtos mais baratos — como carne bovina e açúcar — prejudicando os produtores locais.

Reações e próximos passos

A aceitação do acordo também gerou debates políticos: na França, partidos de oposição tentaram pressionar o governo e até apresentaram moções de desconfiança devido à maneira como a aprovação foi conduzida, refletindo a tensão doméstica em torno do livre-comércio com o Mercosul.

Com o aval de Estados-membros, o texto segue agora para a fase de assinatura e ratificação — etapas que envolverão o Parlamento Europeu e poderão levar meses até que o acordo entre em vigor de fato. Analistas ressaltam que, se completamente ratificado, o acordo poderá eliminar tarifas sobre grande parte do comércio entre as duas regiões e impulsionar exportações e importações de bens industriais e agrícolas, transformando o cenário de comércio transatlântico.